SAUDADES DO VITO! ANA CHIEFFI

Há uns 35 anos tive os primeiros contatos com o MOMSP[1], via Hélio Bombardi. Depois conheci vári@s outr@s bravos companheiros entre os quais Carlúcio, Waldemar Rossi, Neto e, por fim, Vito Giannotti (há uns 25 anos).

No fim de semana (25 e 26.07.2015) li e reli a mensagem recebida do Neto (a última que segue), me recusando a acreditar que Vito havia partido. Fui conferir e veio a confirmação de outro querido companheiro, o Cloves. A gente sabe que “pra morrer basta estar vivo”, mas é difícil aceitar no caso de alguém que era a personificação da energia, da vida! Sempre disposto, tinha sorriso fácil, humor inteligente e simpatia contagiante. Não vou falar de suas inúmeras qualidades como revolucionário, lutador incansável, jornalista, escritor, professor/educador. Sobre isso já falaram, com muito mais propriedade, outr@s vári@s companheir@s.

O Vito também cozinhava muito bem! Uma vez, em campanha eleitoral, fez macarrão “al dente” pra 50 pessoas, perfeito! Tinha várias auxiliares de cozinha e era muito exigente: uma enorme quantidade de alho picado em pedacinhos minúsculos era parte importante do molho básico, que depois se desdobraria em sabores diversos. E ele não admitia que o comensal trocasse de sabor sem antes lavar o prato. Dois molhos diferentes juntos então, nem pensar! Nessa ocasião tive o privilégio de fazer dobradinha com ele, preparando a sobremesa.

Quero falar um pouquinho e em especial de um lado pouco explorado do Vito: sua sensibilidade, atenção, gentileza, delicadeza até! Sim, aquele cara com “voz de barítono”, que se expressava frequentemente com o que se chama de “palavrões” era sim, um homem de profunda sensibilidade. Afinal, se assim não fosse, como poderia ter dedicado toda a sua vida, de corpo e alma, a@s demais, a@s companheir@s, a@s trabalhador@s, à “causa”? É essa a mais forte e profunda lembrança que tenho e sempre guardarei desse bravo companheiro/amigo sem desmerecer, evidentemente, todas as suas outras imensas e amplamente reconhecidas qualidades.

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Viva o Vito, que desempenhou com louvor o papel que lhe foi reservado no teatro da vida!!

MORRE VITO GIANNOTTI, FUNDADOR DO NÚCLEO PIRATININGA DE COMUNICAÇÃO - http://averdade.org.br/

Faleceu, no Rio de Janeiro, o historiador, escritor, jornalista, professor e militante social Vito Giannotti, aos 72 anos.

Nascido na Itália, Giannotti veio ao Brasil ainda cedo, onde trabalhou como metalúrgico e se tornou um dos principais pesquisadores da memória das lutas operárias no Brasil, além de incansável defensor da imprensa popular.

Autor de mais de vinte livros sobre comunicação sindical e história do movimento sindical, Vito Giannotti foi um dos fundadores do Núcleo Piratininga de Comunicação, importante centro de formação política do país.

Sem dúvida nenhuma, sua partida é uma grande perda para todos que constroem os movimentos sociais no Brasil, em especial a comunicação popular. Seu legado continuará presente nas lutas do povo brasileiro e na batalha diária pela construção de uma imprensa dos trabalhadores a serviço da luta contra o capital e pelo socialismo.

Vito Giannotti, presente!

PERDEMOS UM GRANDE CAMARADA, VITO GIANNOTTI – JOÃO PEDRO STEDILE

Vito Giannotti chegou da Itália em 1964, com 21 anos. Tornou-se um brasileiro legítimo. O povo brasileiro o adotou. Operário metalúrgico, fez militância sindical durante toda ditadura militar. Sábio e autodidata, se transformou em jornalista.

Era um defensor intransigente, seguindo o mestre Gramsci, de que a classe trabalhadora precisa construir seus próprios meios de comunicação. Ajudou a formar diversos jornais e boletins da classe, entre eles o jornal Brasil de Fato nacional e o tabloide BdF do Rio Janeiro. Deve ter dado milhares de palestras pelo Brasil afora incentivando a comunicação da classe.

Estudioso, transformou-se num professor didático e num grande propagandista dos livros. Cultivou sempre a máxima de que “só o conhecimento liberta verdadeiramente a classe trabalhadora e todo povo.”

Agitador, defendia as ideias da igualdade social e da necessidade de indignar-se como ninguém contra qualquer injustiça. Foi um exemplo de internacionalista. Preocupava-se com as lutas da classe trabalhadora em todos os países, e difundia permanentemente as histórias das lutas de massa o Brasil, da América Latina e do mundo.

Seu vozeirão de Pavaroti o deixava ainda mais contundente. Viveu uma vida simples, coerente e dedicada unicamente aos interesses da classe trabalhadora. Todos apreendemos muito com ele. Era um militante das ideias socialistas no meio sindical, no meio popular, na universidade e entre os jovens. Foi exemplo de dedicação militante.

O MST e seus militantes devem muito a ele, e temos orgulho de seu exemplo e de sua amizade. Perdemo-nos fisicamente, porém abraçaremos com amor seu legado. Indignar-se com fervor contra qualquer injustiça, defender sem exitação as ideias socialistas. Agitar e organizar o povo para que lute por mudanças sociais.

Grande Vito, nos deixará saudades, mas também um legado de exemplo de vida.

VITO GIANNOTTI, A VIDA CONTINUA, PORRA! RENATO ROVAI

Amanheci triste. Pelo perfil da Luisa Santiago, a filha querida de Vito Giannotti, descubro que o amigo se foi.

Puta sacanagem, Vito. Você poderia ter nos dado tempo de te dar uns abraços, de ouvir um pouco mais das tuas histórias e de te fazer umas homenagens. Mas que nada. Como um bom carcamano, foi sem pedir licença. Sem frescuras. Sem querer saber das nossas pequenices.

Vito, eu sei que você acharia brega, mas preciso te dizer que você foi um puta cara. E que eu gostaria muito de ter me permitido ter mais tempo pra papear contigo e ouvir histórias de alguém que viveu intensamente a redemocratização do Brasil e que sempre soube que a disputa na área de comunicação é central para a gente conseguir avançar em outras áreas.

O fato é que hoje, muitos dos que estão na luta buscando democratizá-la, beberam da água que você tratou. Ou porque passaram pelos encontros do Núcleo Piratininga de Comunicação ou porque passaram a pensar diferente ao te ouvirem em uma das milhares de palestras e cursos que você deu por esse país afora.

Talvez, Vito, você tenha sido o cara que mais falou de comunicação e que mais tentou ensinar comunicação para militantes e profissionais de movimentos populares no Brasil. Alguém ainda vai ter de contar essa sua história de obstinação. Porque poucos dedicaram tanto da vida a um ideal, a uma luta. E principalmente a essa, que além de dura sempre foi tão mal tratada pela esquerda brasileira.

Vito, meu amigo, eu amanheci triste. Mas ao mesmo tempo não posso me permitir continuar assim. Porque isso não combinaria com a sua alegria.

E por isso registro aqui que vamos continuar na estrada, buscando construir os sonhos que sonhamos juntos. Sabendo que eles não se realizarão nem por dádiva e nem por acaso, mas só com muita luta e insistência. Só se realizarão se formos muitos Vitos. Valeu, meu amigo.

MORREU O COMPANHEIRO VITO GIANNOTTI. PRESENTE SEMPRE! CSP-CONLUTAS – CENTRAL SINDICAL E POPULAR

Perdemos Vito Giannotti. Uma perda imensurável para o movimento sindical e popular em nosso país. Desde o MOMSP na década de 1970, esse operário italiano/brasileiro, de coração internacionalista, já estava nas lutas que promoveram a redemocratização do país.

Mas foi na área da comunicação sindical e popular que Vito tornou-se uma referência. Pela batalha que travou em torno da comunicação dos trabalhadores. Com certeza é incontável o número de sindicatos e movimentos em que Vito promoveu palestras e cursos, ajudando a pensar, a elaborar e a produzir uma comunicação dos trabalhadores e do movimento popular.

Alegre, irreverente e um indignado com as injustiças do capitalismo, deixou sua presença na memória e na forma de se fazer comunicação de luta neste país.

Vito Giannotti esteve presente no 1o Seminário de Comunicação Nacional da CSP-Conlutas, realizado em dezembro passado. Uma mesa só para ele, onde abordasse a questão da linguagem. Quantos cursos e palestras Vito promoveu nas entidades ligadas à CSP-Conlutas? Inúmeros. Sempre contribuindo por desenvolver essa ferramenta fundamental na nossa luta: a comunicação.

A CSP-Conlutas, em seu todo, reconhece e agradece esse trabalho, essa dedicação. Sente a perda de Vito e se solidariza profundamente com sua companheira Claudia Santiago, seus familiares e todos os integrantes do Núcleo Piratininga de Comunicação, o NPC.

Vito estará entre nós em cada produção de panfletos, jornais, programas de rádio, sites, redes sociais, discursos em caminhões de som e tantos outros.

A nossa comunicação continua com a sua presença.

Companheiro Vito Giannotti, PRESENTE!

VITO GIANNOTTI, OPERÁRIO DA MEMÓRIA E DA LIBERDADE, SEMPRE EM CONSTRUÇÃO – PAULO DONIZETTI DE SOUZA

Pesquisador da história das lutas operárias e sociais, escritor e criador do Núcleo Piratininga de Comunicação, Vito se foi, deixando um rastro de energia e esperança

Metalúrgico, historiador, escritor, jornalista, professor, militante da democracia e do socialismo. Qualquer que seja a atribuição que se busque na biografia de Vito Giannotti, que nos deixou na madrugada de hoje (25), aos 72 anos, se encontrará um homem intenso.

Vito é filho de italianos. Chegou a São Paulo aos 21 anos, em 1964, e passou a vida toda construindo. Construiu resistência à ditadura, construiu a oposição metalúrgica de São Paulo ante sucessivas direções indignas de representar trabalhadores, construiu a pesquisa e a memória das lutas sociais e operárias, construiu pontes que, por meio da comunicação, ligassem lideranças sociais e intelectuais e suas ideais ao cidadão comum exposto à indecência da imprensa hegemônica.

Obstinado, Vito deixa mais de duas dezenas de livros. E a experiência singular do Núcleo Piratininga de Comunicação, no Rio de Janeiro. Um centro de estudos, de memória, de debates, de produção e troca de conhecimento. E de amizades.

Suas palestras eram movidas a sonho e convicção. Com a mesma fluidez de suas prosas. Era crítico ácido de sindicatos e movimentos que desprezam a necessidade de produzir comunicação de qualidade com a sociedade – com linguagem respeitosa e clara, com elegância, com profissionalismo. E mesmo quando chutava o balde ao desferir crítica a um jornal malfeito, o fazia com o objetivo nítido de construir, de impelir as esquerdas e movimentos, qualquer que fosse a corrente, a deixar de falar para o umbigo e disputar a opinião pública.

Vito foi tudo isso. Intenso, propositivo e agregador. Sua alegria, sua energia, sua contundência, e sobretudo sua esperança e prazer de lutar, contagiantes, farão uma falta danada – ainda mais nesse momento sombrio de nossa política. Valeu, Vito. Façamos nossa sua frase clássica: “A luta continua, porra!”

MORREU UM BRAVO – BRENO ALTMAN

Faleceu, aos 72 anos, um dos mais dedicados, destemidos e criativos militantes sociais deste país, o italiano Vito Giannotti, brasileiro de coração. Era um revolucionário sem dogmas e preconceitos.

Quando abraçou a causa do socialismo, em sua pátria natal, soube dos kibutz israelenses e teve a esperança de que lá, no final dos anos 50, nascia um mundo novo. Arrumou suas malas e mudou-se para Israel, sem ter qualquer vínculo com o judaísmo. Quebrou a cara. Decepcionou-se com o que viu e viveu. Rapidamente desistiu do sionismo, do qual passou a ser crítico implacável, procurando a encarnação de suas convicções socialistas em outras plagas”.

Resolveu, então, se juntar à epopeia latino-americana, mudando-se para o Brasil, empregando-se em uma metalúrgica e atuando no movimento sindical logo após o golpe militar de 1964. Foi um dos grandes animadores da oposição sindical metalúrgica de São Paulo, nos anos 70 e 80.

Dedicou-se especialmente à tarefa de educar o sindicalismo combativo para a tarefa da comunicação, pois considerava essa a principal ferramenta para radicalizar a consciência de classe e pavimentar o caminho ao socialismo.

Desde os anos 90, mudando-se de SP para o RJ, liderou a constituição do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC), formidável experiência para o debate dos temas da informação e para a formação de animadores da luta social.

Ao partir, Vito deixa um enorme legado, de histórias e instrumentos, ideias e iniciativas, além de muitos amigos e companheiros.

Eu o conheci há quase 35 anos, durante uma época na qual o sindicalismo comunista, ao qual me vinculava como jornalista, se contrapunha aos grupos fundadores do PT e da CUT, então em formação.

Sorriso cativante, gestos largos, voz de barítono, Vito encantava até os adversários, que não perdiam a chance para um dedo de prosa, uma história bem contada, ou uma acalorada discussão sobre os rumos do movimento operário.

Nos anos 90, quando eu dirigia uma editora de livros, ele me procurou para lançar seus primeiros textos. Eram obras sobre a história do sindicalismo, com críticas duríssimas às experiências que direta ou indiretamente tinham sido comandadas pelo PCB ou seus herdeiros.

Eu já era filiado ao PT e me encantava a ironia do autor, que um dia me disse com indisfarçável triunfo: “publicar esses livros contigo é a certeza de que você vai ler o que escrevi e nunca mais andar com gente errada.”

Vito sempre será exemplo, para as atuais e as futuras gerações. Um homem sem papas na língua, um bravo da luta de classes, um educador inigualável, um coração do tamanho de seu vozeirão.

Morreu um camarada, um irmão inesquecível, a tristeza só não é maior que as lembranças do tanto que este tremendo italiano fez pelo bom combate.

MORRE VITO GIANOTTI: “A LUTA CONTINUA, PORRA!” NAJLA PASSOS

O Brasil perdeu Vito Gianotti, o escritor italiano

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que escolheu o Brasil para viver e para lutar em prol dos trabalhadores. Operário, dirigente sindical, educador e comunicador popular, ele era coordenador do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC), o principal centro de treinamento e produção em comunicação popular e sindical do país.

Vito Gianotti nasceu na Toscana, na Itália, em 1943. Andou por várias paragens antes de se radicar no Brasil. Em São Paulo, trabalhou como metalúrgico ferramenteiro por 20 anos. Sempre envolvido com as causas dos operários, enfrentou a ditadura. Foi preso, torturado, mas jamais desistiu de se empenhar em construir uma sociedade mais justa. Eterno lutador da Oposição Metalúrgica, foi diretor da Central Única dos Trabalhadores (CUT) naquele estado.

No Rio de Janeiro, fundou o Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC) em meados da década de 1990, quando o neoliberalismo avançava e sindicatos e trabalhadores se viam cada vez mais enfraquecidos. À frente do NPC, Gianotti mudou a cara da imprensa sindical e popular brasileira: ensinou os profissionais da área

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não só a tornarem os jornais de classe mais atrativos e palatáveis aos anseios de seus públicos alvos, como também a utilizarem a comunicação como ferramenta imprescindível para a disputa de hegemonia. Gianotti também estimulou várias gerações de comunicadores populares e sindicais e empunharem a bandeira da luta pela democratização da comunicação, assunto que dominava como poucos e sobre o qual dedicou grande parte de sua produção intelectual.

Incansável, Gianotti nunca desanimava frente às dificuldades da conjuntura, fossem elas quais fossem. Como lembrou o jornalista carioca Gustavo Barreto, quando todos já estavam cansados de tanta injustiça, tanta dor e tanta exploração, lá vinha ele gritando: ‘levanta garoto’. “Ele reenergizava todos”, resumiu. Sua enteada, Luiza Santiago, lembrou a frase do padrasto que se tornou célebre no mundo sindical brasileiro: “A luta continua, porra!”

Junto com a companheira Claudia Santiago, era proprietário da livraria Antônio Gramsci, no coração do Rio de Janeiro, que acabou se tornando um ponto de encontro de intelectuais de esquerda e lutadores populares. Dono de um coração enorme, Vito acumulava amigos por onde passava: tinha sempre uma palavra de carinho, de consolo, de esperança. Sabia fazer o enfrentamento “sem perder a ternura jamais”, como propôs certa vez um dos ídolos que ele ostentava nas suas camisetas.

“Quem teve o prazer de conhecê-lo e conviver com ele, ganhou muito. (…) Sua vitalidade, força, vontade de viver e transformar o mundo eram contagiantes. Seus gritos, palavrões e disposição para repassar seus conhecimentos farão muita falta ao mundo. Mas o que fará mais falta é sua amizade e amor”, registrou a jornalista gaúcha Kátia Marko.

Todo o movimento social do país já lamenta sua partida prematura e sem aviso prévio. “O MST lamenta com muita tristeza o falecimento do nosso grande amigo e militante dos movimentos populares, Vito Giannotti, um grande educador e comunicador e uma referência da comunicação popular e alternativa”, registrou o maior movimento social brasileiro.

“A luta dos trabalhadores perdeu hoje Vito Gianotti, guerreiro da memorável Oposição Metalúrgica, formador popular e lutador pelo socialismo. Toda solidariedade a seus familiares e amigos. ‘A luta continua seus putos, porra!’. Vito, presente!”, divulgou em suas redes sociais o MTST.

Vito deixa grande legado para a temática da comunicação popular e luta operária. É autor de vários livros, dentre os quais “O que é Jornalismo Operário”, “Collor, a CUT e a pizza”; “Trabalhadores da aviação: de Getúlio a FHC”, “A CUT por dentro e por fora”, “A CUT ontem e hoje”, “Cem anos de luta operária”, “Comunicação Sindical: a arte de falar para milhões”, “Muralhas da Linguagem”, “Dicionário de Politiquês”, “Manual de Linguagem Sindical” e “Força Sindical, a central neoliberal”.

Ele morreu de causas naturais, na sua casa, no Rio de Janeiro. Além da esposa e da enteada, deixa o filho Taiguara, que vive na Itália e já está a caminho do Brasil.

EU E ELE, NÓS E ELES – SEBASTIÃO NETO

Dedico aos jovens que brilhavam os olhos ao ver Vito falar, imprecar e politizar. E particularmente aos participantes do Curso de Comunicação Popular do NPC. Como diria o Elias: “se temos que esperar alguma coisa, será dos jovens”. Sentia que esse momento estava chegando. Tava antevendo. Tive na 6ª passada (17.07.2015) com o camarada Vito no Rio de Janeiro. Era o mesmo como ser político, mas parecia fragilizado fisicamente. Já de meses, sua companheira Cláudia e sua equipe no NPC o acarinhavam, preocupados com as sequelas de tratamentos brabos que ele tinha passado.

Durante muitos anos, eu e ele fomos inseparáveis na ação e diferentes em quase tudo para quem olhava a superfície das coisas. Dois jeitos distintos. O ambiente que ainda hoje permanece entre os velhos camaradas da Oposição Metalúrgica de São Paulo permitia e permite a convivência com diferenças políticas. Nos uniram laços inquebráveis de concepções políticas: a independência de classe, o internacionalismo, a obsessão pela defesa e necessidade das organizações de base dos trabalhadores numa concepção das estruturas horizontais de poder, a democracia dentro das organizações de trabalhadores. Vito trazia a cultura comunista da esquerda europeia – leia-se: NÃO da 3ª Internacional – com uma marca italiana e particularmente tudo que era não stalinismo, não burocracia. Lembremos que a Itália no final dos 60, começo dos 70, tinha, talvez, o sindicalismo mais avançado da Europa, dizíamos “o mundo”. Como tudo isso foi para a casa do cazzo, como diria o Vito, é um bom motivo de reflexão para a esquerda que vê as barreiras colocadas pela burguesia e prefere os atalhos da conciliação. Vito, na sua busca pela revolução, tinha cheirado que dali não sairia nada.

Eram de nomes como Bordiga, Pannekoek, Rosa de Luxemburgo, Rossana Rossanda, grupo “Manifesto”, o extraparlamentarismo de que ele empurrava textos e textos fora do senso comum da esquerda. E Gramsci!! Não foi a OSM-SP no Brasil a que difundiu aos milhares OS CONSELHOS DE FABRICA DE TURIM? E a essa visão conselhista se somava uma férrea defesa dos SOVIETS. Fora a burocracia, viva os Sovietes!

É imaginável que tenhamos distribuído milhares de cópias do texto de Lenin “Sobre as greves” (edição Jornal do Jornais) inclusive em outras categorias? Fizemos os decretos principais da Comuna de Paris em formato de cartazes. Essa visão conselhista era visto por muita gente boa como basismo.

Formou-se em São Paulo e irradiou pelo Brasil a partir da OSMSP uma vanguarda. Vanguardista, às vezes, mas vanguarda de classe.

Quando uma bandeira como as Comissões de Fábrica é assumida por milhares de trabalhadores que vão à greve, como em 78, reivindicando o reconhecimento das Comissões de Fábrica tanto quanto o reajuste salarial mostra que essa vanguarda permaneceu anos dentro das fábricas urdindo o tal trabalho de base. Não foi assim na Cobrasma quando da greve de Osasco? Bebíamos em boa fonte.

São centenas de dirigentes de base estimulados, conscientemente formados em pequenas reuniões, em visitas nas casas, atividades de formação e quando a ditadura começou a cambalear, atividades maiores e participação nas lutas. Essa vanguarda não foi forjada no estilo de ficar escondida atrás das máquinas. São muitas pequenas lutas por N motivos. Trabalhei por acaso um ano junto com o Vito na BUSSING-STAHL na Mooca, e com o Eliseu que seria o diretor da TVT em São Bernardo até o perdermos também. Quando entrei no início de 1970, tinham feito greves inclusive por atraso de pagamento. Eu estava com prisão decretada e ficava meio na moita e via aquele italiano falar incansavelmente, repassar muita literatura.

Trabalhavam umas 150 mulheres na produção. Era uma fábrica com a cara do milagre brasileiro. Condições de trabalho pré-revolução industrial, despotismo absoluto da chefia, revezamento de turnos, horas extras determinadas em cima da hora. Dali, através trabalho do Vito, sairá em 72 a primeira mulher candidata numa chapa da Oposição, Terezinha Paparazzo. E uma amizade

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de vida inteira com o Eliseu.

Essa cultura que o Vito (e outros) trazia, mais a paciente tradição do trabalho de base capitaneado por Rossi, herdeiro do jocismo do ver-julgar-agir, dos Queixadas, da greve de Osasco somada aos militantes de diversas organizações clandestinas, que diante da tarefa enorme que era “tomar” o Sindicato (é do Vito o “delenda Cartago”) fizeram a mais rica – sem modéstia – convivência democrática na esquerda brasileira. Pautada por uma regra singela: a base organizada decide. Não é episódico, embora pitoresco, que militantes de partidos contrariavam as orientações e votavam com a região que representavam. Fazer o que? Como os comunardos, éramos pela revogabilidade de mandatos.

Não foi o velho MOSMSP, execrado por gente tão bem pensante, como anarco-sindicalismo, os que não queriam ganhar o Sindicato? As ratazanas, hoje gordas, com alguns chafurdando na lama da política; os ganhadores que trataram a OSM-SP como “primos pobres”, ignorando não só a realidade da luta de classes que contrapunha projetos tão distintos como, de um lado a OSM-SP, e por decorrência a CUT, e do outro a emergente Força Sindical; aqueles que pactaram um “Ialta-Teerã” no sindicalismo brasileiro, que queriam “enterrar a OPOSIÇÃO no caixão do Joaquinzão”, esses eram a malta, a banda que o Vito não queria andar junto.

Após a diáspora imposta, a palestinização da Oposição nos anos 90 quando a combinação dos avanços do neoliberalismo, a opção da CUT pelo “propositismo”, o aparar das barbas no PT e a negação pura e simples que os metalúrgicos de São Paulo fizessem chapa de Oposição a partir de 93, levaram Vito a mudar de ares, indo para o Rio de Janeiro. É verdade que a tragédia da perda do filho André nunca foi superada. Isso também o empurrou para fora de São Paulo. Os anos 90 foram para os metalúrgicos de Oposição de sobrevivência pura e simples. Fomos para o subemprego, para se esconder nas pequenas.

Depois do exílio nas fábricas nos anos 70, enfrentando a tríplice aliança empresários-militares-pelegos, fomos jogados nos 90 na pirambeira do desemprego, lidando com os trabalhadores que prudentemente estavam de cabeza gacha. E o “sindicalismo de resultados”. O sindicato collorido era o arauto da desregulamentação e da flexibilização em nome do negocial melhor que o legal. Em menos de dois anos, Collor liquida ¼ dos empregos industriais em São Paulo.

Estava vencido como etapa. A partir da derrota de Lula na maravilhosa campanha de 89, foi determinada uma divisão de águas na esquerda. Mal se podia imaginar que o aggiornamento ocorreria também por aqui. Que boa parte da esquerda historicamente construída na resistência à ditadura, em nome dos interesses maiores, desistisse dos enfrentamentos. Além do realismo político, não havia porque reforçar que a incontrolável Oposição Metalúrgica ganhasse o maior Sindicato operário. Os palestinos não podem ganhar, é isso. Acabou o gás. Ficamos sem a retaguarda.

Mas Vito recomeça, esse cavaleiro errante que já tinha andado pelo Oriente Médio, que foi pescador no Espírito Santo, depois de décadas militando em São Paulo, mudará para o Rio de Janeiro. “Recomeçarás sempre, com magnífica honestidade” (Barbusse).

O Vito era o cara da imprensa. Em depoimento para o Projeto Memória da OSM-SP, ele afirma que a Oposição foi inclusive, contando os sindicatos da época, quem MAIS publicou e distribuiu. Essa incontrolável gente era composta de forma variada por todas correntes de esquerda. Era incontrolável por qualquer uma das correntes participantes, muito menos de fora. A concepção de FRENTE DE TRABALHADORES tem a ver, claro, com um método, uma concepção, mas também é resultado do tamanho da tarefa (eram 400 mil metalúrgicos, em mais de 13.000 empresas; milhares de pequenas firmas e algumas de grande concentração de gente) do poder do inimigo que obrigava a UNIDADE.

A CUT PELA BASE será herdeira dessa tradição de FRENTE de Trabalhadores. Com a presença de diversas organizações, se manterá unida no mesmo método “assembleario”. Quando o esgarçamento das relações começou a tornar forte a relação entre as correntes políticas, ela implodiu.

Vito tinha aprendido muito a fazer imprensa desde o final dos 60. E escrever. Fazia isso incansavelmente. Sua preocupação era sempre defender princípios e intervir na política ajudando que todos pudessem ter compreensão na sua militância. Desde, se não me engano, o primeiro livrinho feito com o Elias Stein (mais alguém?) sobre a História da Classe Operária no Brasil, construiu sua marca. O trabalho com a Cláudia (e tant@s outr@s) consolidara essa obsessão de colocar como tema central a questão da COMUNICAÇÃO E DA DISPUTA DA HEGEMONIA.

Morrerá sem ver uma imprensa revolucionária de massas expoente de um projeto político de esquerda. E tudo indica que estamos ficando cada vez mais longe dessa possibilidade.

Os cursos anuais do NPC em novembro juntam as correntes de esquerda num ambiente de confraternização e rica discussão política. Sobreviveu Vito dando cursos em todo o país. Os sindicalistas de base, os formadores o veneravam. Muitos de nós são respeitados, mas Vito é daqueles camaradas como o Martinelli e o Rossi. Mais que respeitados, eles são amados.

LONGA VIDA AOS QUE LUTAM!