Quando, há quase um ano, eu disse que ia à Índia, houve quem estranhasse na base do “o que você vai fazer lá?” Ou: “quando você for à Europa me chame” e outros quetais. Isso, mesmo sabendo (imagino) que a Índia tem intensa atividade turística o ano todo e que eu sou praticante de Yoga há mais de 30 anos… Respeito opiniões diferentes e afirmo que me fez muito bem ir a este país tão antigo (que faz da linda e limpa Europa um bebê), com tanta história, tanta espiritualidade, tanta magia, tanto amor, tanta… tanto…

Pra começar, vou logo dizendo: tem muita pobreza? MUUUITA!!! Muita sujeira? TAMBÉM!!! A pobreza se manifesta para nós nos pedintes, que se aglomeram nos pontos turísticos e não aceitam “não” como resposta. São insistentes demais e isso incomoda por mais de uma razão. Trata-se de uma verdadeira “atividade econômica”, da qual só se escapa ensurdecendo. Eu elegi um critério que apliquei por toda a viagem: dei esmolas aos deficientes físicos e ponto. Abri uma exceção em Varanasi para um senhor de idade que me abordou e me acompanhou longamente na rua. Ah, e quanto dar, se há produtos no valor de 5 rúpias (R$ 0,20)?? Eu não tinha coragem de dar só uma moedinha de 1 ou 2 rúpias e, como fui parcimoniosa, a cada vez doava 10 rúpias.

Quanto à sujeira, há quase um século Gandhi lutou muito pelo saneamento básico. Conseguiu algo à época mas, a impressão que passa, é que seus sucessores não tiveram a mesma sensibilidade. Observamos em Rishikesh que estão quebrando “tudo” justamente nesse sentido, mas vimos muitos “rios” (?) poluidíssimos em plena zona rural no sul. Não pense em zona rural como no Brasil, onde se viaja muitos quilômetros sem ver ninguém. Não, zona rural na Índia é totalmente habitada. Ah… não vi n-i-n-g-u-é-m defecando na rua, como fui prevenida antes de partir…

É bom lembrar, tanto em relação à pobreza, quanto à sujeira, que se trata de um país com seis vezes mais habitantes que o Brasil e com área 2,5 menor, isto é: tem densidade demográfica 15 vezes superior à nossa!

Isso posto, A-M-E-I a Índia! Yes, I LOVE INDIA!! Espero poder voltar!!! Tem uma energia indescritível no ar, nas pessoas, nos animais. Tem muita alegria! Tem muita calma… Tem muito amor. Sim, amor.

As pessoas SÃO alegres. Como dizia meu querido amigo Hervé, “são felizes sem causa”. Só por ver alguém fotografando, correm felizes (crianças e adultos), sorrindo. Só por isso, pois nunca terão essa foto! Sorriem em situações que não sabemos sorrir, na maior parte das situações são gentis.

As mulheres são muito elegantes! Principalmente no sul andam quase sempre de saree. É uma roupa complicada, enrolada no corpo e elas, com muita elegância, carregam toras de madeira e fazem outros serviços assim vestidas. É lindo de ver! Sei que fazem isso há milênios, mas é admirável do mesmo jeito!!

Os animais… ah, os animais! Em Delhi há poucas vacas e cabritos pelas ruas, mas há muitos cães, macacos… e esquilos nas árvores! Em todas as outras cidades pelas quais passamos havia também muitas vacas e cabritos. Pra quem, como eu, ama o contato com animais foi DEMAIS! As vacas se aproximam, nem que for só pra receber um carinho. E (quase) sempre recebem, claro. A sujeira que fazem deixa de ter qualquer importância, diante do contato com elas. Os cães são muito alegres! Aproximam-se abanando o rabo, como se fossem velhos conhecidos. Quantas ninhadas! Curiosamente a imensa maioria esmagadora de vacas e cães (uns 90% ou mais) são fortes e tem pelo bonito. Os macacos são ariscos, mas gostei demais da proximidade. Em Varanasi há também búfalos. Não são mansos como as vacas, mas são lindos!

Um esclarecimento: quando se fala a palavra templo, não necessariamente está se referindo a uma construção tipo igreja, como conhecemos. Um templo pode ser – e muitas vezes é – um grande complexo, com vários hectares, áreas cobertas ou não, pátios, grandes tanques de água etc.

Ainda aqui no Brasil me disseram que a Índia é uma overdose nos sentidos. Verdade: há muitas cores, muitas formas, muita gente; muito barulho, pessoas falam alto e o trânsito é caótico como era (ou ainda é) o do Cairo; desde sempre são os senhores dos temperos, das especiarias – daí que os sabores são marcantes e a comida é muito apimentada! Os cheiros… sentimos dos melhores – inclusive até os sabonetinhos dos hotéis são deliciosamente perfumados – até os piores: proporcionalmente a aqui, há quem urine nas ruas… e o tato: como é muita gente, às vezes esbarra-se. Mas também há as sedas, os cashemires…

Muito importante esclarecer o seguinte: os hindus são monoteístas. Há muuuitos anos (mais de 7.000) os rishis (antigos sábios da Índia) criaram sua mitologia e assim surgiu um “deus” para cada situação. É por isso que há tantos “deuses” na Índia. Na verdade, assim como para os cristãos Deus se manifesta em três pessoas, para os hindus Ele se manifesta de inúmeras formas (como homem, mulher ou animal), mas é sempre um único Deus.

***

Eu “me preparei” pra ir à Índia. A partir do roteiro, li bastante. Daí que montei um material que começa com uma poesia do Yogananda (autor de Autobiografia de um Yogue e vários outros livros) e dados históricos do país:

MINHA ÍNDIA – PARAMAHANSA YOGANANDA

Não onde o almíscar da felicidade exala
Não onde a escuridão e os temores nunca pisaram
Não nas casas dos sorrisos eternos,
Nem no céu de uma terra de prosperidade eu nasci.

Se eu tiver que vestir novamente um traje mortal
O medo da fome pode rondar e rasgar a minha carne,
No entanto, eu amaria estar novamente na minha Hindustan.

Um milhão de ladrões de doença
Podem tentar roubar a saúde passageira do corpo;
E nuvens de sorte
Meu chuveiro escaldante sai queimando tristezas
No entanto, eu iria lá, na Índia, amor a ressurgir!

É este o amor de meu sentimento cego que não vê os caminhos da razão?
Ah, não! Eu amo a Índia,
Por lá eu aprendi primeiro a amar a Deus e todas as coisas lindas.
Alguns ensinam a aproveitar a gota de orvalho inconstante, a vida,
Deslizando a folha de lótus do tempo;
Esperanças teimosas são construídas em torno da dourada e frágil bolha do corpo
Mas a Índia me ensinou a amar
A alma de beleza imortal na gota de orvalho e a bolha
Não sua frágil estrutura.
Seus sábios me ensinaram a encontrar o meu Self
Enterrado sob os montes de cinzas das encarnações da ignorância.
Apesar de uma terra de muito poder, abundância e ciência.

Minha alma, às vezes vestida como um oriental, às vezes, como um ocidental,
Viajou distante e amplamente buscando-se;
Por fim, na Índia, para encontrar-se.
Mesmo que fogos mortais devastem suas casas e seus dourados arrozais,
Para dormir sobre suas cinzas e sonhar com a imortalidade,
Oh Índia, aí hei de estar!

As armas da ciência e da matéria
Cresceram em suas margens no entanto, ela está invicta.
Sua alma é livre sempre!
Seus santos guerreiros estão fora,
A derrota com realização dos bandidos de ódio, preconceito e egoísmo patriótico;
E para queimar as paredes das trevas de separação entre crianças e um Pai
Os irmãos ocidentais, por questão de poder, conquistaram minha terra.

Os moluscos saem de todas as conchas!
A Índia agora invade com amor, para conquistar suas almas.
Melhor do que o Céu ou Arcádia
Eu Te amo, ó minha Índia!
E teu amor eu darei para cada nação irmã que vive.
Deus criou a terra;
O homem criou os países confinantes
E suas imaginárias e frias fronteiras.
Mas com imenso amor recém-descoberto
Eu contemplo a fronteira da minha Índia
Expandindo para o mundo.
Saudação, mãe das religiões, lotus, beleza cênica, e sábios!
Tuas portas largas estão abertas,
Recepcionando os verdadeiros filhos de Deus através de todas as eras.
Mas o Ganges, as florestas, as cavernas do Himalaia
E os homens sonham com Deus.
Sou abençoado, meu corpo tocou esse solo.”

* * *

Cronologia

20.000 a.C. – há sítios pré-históricos dessa época.

8.000-4.000 a.C. – Mesolítico = Idade Intermediária da Pedra

7.000 a.C. – assentamentos agrícolas

6.000-1.000 a.C. – Neolítico ou Nova Idade da Pedra

2.500-1.800 a.C. – cultura Harappan, sofisticada civilização urbana[1], floresce no vale do Indo.

1.800-800 a.C. – surgem comunidades agrícolas

1.500 a.C. – arianos migram para o noroeste da Índia; tinham economia pastoril e agrícola.

1.500-1.000 a.C. – período do Rig Vedaveneravam deuses da natureza.

1.200 a.C. – descoberta do ferro

1.000-600 a.C. – védico tardio.

1.000 a.C.-100 d.C. – sítios com túmulos megalíticos no sul da Índia

950 a.C. – suposta guerra do épico Mahabarata

566-486 a.C. – época de Budha. Neste período houve crescimento de muitos centros urbanos no norte e surgiram novas seitas religiosas, além do budhismo, o jainismo[2].

540-467 a.C. – época de Mahavira[3]

400 a.C. a 400 d.C. – reinos dos Cheras (atual Kerala), Cholas e Pandyas dominaram no extremo sul.

327-325 a.C. – Alexandre, o Grande, invade o noroeste da Índia, mas logo se retira.

321 a.C. – ascensão de Chandra Gupta Maurya, fundador da dinastia Maurya, 1º império indiano.

315 a.C. – Megástenes, escritor grego, visita a Índia.

269-232 a.C. – reinado de Ashoka, imperador da dinastia, um dos maiores dirigentes do país, grande protetor do budhismo.

260 a.C. – Ashoka conquista Kalinga (atual Orissa)

200 a 80 a. C. – invasão dos indogregos de Bactria, hoje Afeganistão.

165 a.C. – Menandro, rei indo-grego, governa o noroeste da Índia.

100 a.C.-220 d.C. – os Satavahanas dominam o Decã[4].

Sec. I d. C. – invasão dos partianos (persas).

52 d.C. – São Tomás de Aquino[5] na Índia.

50 a 300 d. C. – invasão dos kushanas[6].

78-110 d.C. – reinado de Kanishka, o maior rei kushana. Ele também protegia o budhismo e, nessa época, desenvolveu-se o budhismo mahayana.

225-310 – Ishvakus no Decã oriental (sul).

250-300 – construção das stupas[7] budistas de Nagarjunakonda e Amravati.

250-550 – dinastia dos Vakatakas no Decã – esculturas e pinturas magníficas em Ajanta[8].

275-550 – Pallavas – dinastia importante no sul.

300-399 – Ramayana e Mahabarata são compostos.

320-500 – a dinastia Gupta[9] estabeleceu-se como grande império no norte. Houve grande florescimento cultural. Na religião destaque para vaishanavismo (Vishnu[10]) e shaivismo (Shiva[11]). Fundação da Universidade Budhista de Nalanda[12].

335-375 – Reinado de Samudra Gupta.

450 – início das invasões dos hunos – seu governo foi longo e esclarecido.

476 – nasce Aryabhata, grande astrônomo e matemático.

600-1200 – a partir do sec. VII santos-poetas tâmeis, os alvaras (Vishnu) e nayanares (Shiva) pregavam contra a divisão em castas e práticas ortodoxas brâmanes, enfatizando a união pessoal com Deus. No sec. XI o budhismo entrou em declínio, menos na Índia do leste.

606-647 – reinado de Harshan.

608-642 – reinado de Pulakeshin II, rei da dinastia Chalukya[13].

630-644 – Huen Tsang (peregrino chinês) na Índia.

700 – mercadores árabes chegam à Índia ocidental.

736 – Dhillika (Delhi) fundada pelo rei tomar Anangpal Tomar-I, que restabeleceu a capital ancestral dos Pandavas.

740-973 – domínio da dinastia Rashtrakuta no Decã.

750-1150 – os Palas governam Bengala e Bihar.

750-1200 – Kanauj, antiga capital do império Harsha, era o núcleo do conflito entre três dinastias: pratiharas (norte da Índia do sec. VI ao XI), rashtrakutas (Índia subcontinental, do sec. VI ao X) e palas[14] [15].

783-1036 – domínio Pratihari em Kanauje Rajastão.

800 – Adi Shankaracharya[16] prega sua filosofia.

871-1216 – governo do império Chola de Thanjavur.

900-1192 – domínio da dinastia dos Gangas ocidentais, construtores de Shravana Belagola, cidade no estado de Karnataka.

916-1203 – governo da dinastia dos Chandelas, construtores de Khajuraho, pequena cidade no estado de Madhya Pradesh.

973-1192 – governo do clã dos Chauhans de Ajmer, cidade do Rajastão, no noroeste do país.

974-1233 – domínio da dinastia dos Paramaras na região de Malwa.

974-1238 – domínio da dinastia dos Solanquis de Gujarat, estado no oste da Índia.

998-1030 – invasões de Mahmud[17] em Ghazni.

1032 – templo Adinatha[18] no monte Abu, erguido pelos solanquis.

1050 – Ramanuja[19] prega o vaishanavismo[20].

1076-1438 – os Gangas orientais de Orissa constroem Konark (pequena cidade no distrito de Puri ) e Puri (cidade e distrito de Orissa ).

1110-1342 – domínio do império Hoysala.

1192 – Prithviraj, rei da dinastia Chauhan, derrotado pelo conquistador afegão Muhammad de Ghur.

1206-1210 – Qutbuddin Aibak, 1º regente turco do sultanato de Delhi , ergue o Qutb Minar[21].

1206-1290 – 1ª dinastia dos sultões de Delhi.

1206-1555 – a partir do sec. XI pregadores sufis[22] trouxeram do mundo islâmico novas ideias sobre arte, arquitetura, teologia e guerra.

1216 – dinastia Chola derrotada pelos pandyas.

1228 – Ahoms (descendentes da etnia Tai ) reinam em Assam, estado do leste da Índia.

1288-1293 – Marco Polo (mercador, embaixador e explorador veneziano) visita o sul da Índia.

1296-1316 – reinado de Alauddin Khiliji.

1320-1414 – domínio do sultanato tughluq.

1327 – transferência da capital de Delhi para Daulatabad, no oeste.

1336-1565 – império de Vijayanagar no sul proclamou sua independência.

1345-1538 – domínio ilyas shahis (1º governo independente Muslim) de Bengala.

1347-1518 – reinado muçulmano bahmani, no Decã, sul.

1388 – fundação do reino de Bengala.

1394-1505 – governo sharqi do sultanato de Jaunpur, distrito a noroeste de Varanasi.

1398 – invasão devastadora no norte por Timur de Samarcanda.

Século XIV – Delhi era a maior cidade do mundo islâmico oriental. Cresce a rejeição à hierarquia de castas.

1401 – fundação do reino de Mandu.

1407 – fundação do reino de Gujarat.

1408 – fundação do reino de Jaunpur.

1413-1451 – Sayyids – penúltima dinastia do sultanato de Delhi.

1440-1518 – Kabir[23], santo poeta do movimento Bhakti.

1451-1526 – reinado dos sultões lodis de Delhi, em sua última fase.

1469-1539 – Guru Nanak, fundador e 1º dos 10 gurus do sikhismo[24].

1498 – Vasco da Gama[25] chega a Calicut, na costa oeste.

Sec. XVI a XVIII – comerciantes europeus tomaram terras e guerrearam entre si e contra governantes indianos. Eram portugueses, franceses, holandeses e ingleses… os ingleses venceram.

1526 – Babur, imperador muçulmano da Ásia Central que fundou a dinastia Mogul[26], derrota o sultão de Delhi Ibrahim Lodi em Panipat.

1530-1556 – Humayun sucede Babur.

1555 – Humayun reconquista Delhi.

1556-1605 – Akbar se torna imperador e foi o mais notável do império mogul.

1571-1585 – Akbar ergue Fatehpur Sikri[27].

1600 – Rainha Elizabeth I concede licença à Cia da Índias Orientais, que obteve concessões comerciais do império Mogul. .

1605-1627 – reinado mogul de Jahangir. Ele e Jahan deixaram grande legado de arte e arquitetura.

1627-1658 – reinado mogul do xá Jahan que, em 1643, inicia o Taj Mahal.

1658-1707 – reinado mogul de Aurangzeb[28].

1661 – Bombaim/Mombai é transferida dos portugueses para os ingleses.

1674 – Shivaji, fundador do império Maratha[29], coroado chatrapati (soberano)

1690 – Calcutá fundada por Charnock, presbiteriano puritano inglês.

1727 – fundação da cidade de Jaipur, capital do Rajastão, por Sawai Jai Sing II.

1739 – Nadir, xá da Pérsia, invade Delhi.

1757 – batalha de Plassey – britânicos derrotam Siraj-ud-daulah, nababo de Bengala e Robert Clive[30] torna-se governador.

1761 – Ahmad, xá Abdali (uma das maiores tribos) do Afeganistão, derrota os maratas na 3ª batalha de Panipat.

1764 – batalha de Buxar: britânicos garantem domínio de Bengala.

1773 – parlamento inglês passou a exercer parte do controle sobre a Cia.

1774-1785 – Warren Hastings, 1º governador geral da Índia.

1789 – Maratas ocupam Delhi.

1799 – derrotado o sultão de Tipu, conhecido como o Tigre de Mysore.

1799-1839 – reinado de Ranjir Singh, fundador do império Sikh.

1803 – britânicos retomam Delhi.

1818 – reinos rajasthanis aceitam controle britânico.

1829 – governador geral Bentinck proíbe o sati[31].

1853 – 1ª ferrovia de Bombain até Thana.

1856 – anexação de Avadh.

1857 – motim indiano revela impopularidade da Cia; fim do império Mogul; o controle da Cia cobria quase toda a Índia atual, com altíssimos lucros.

1858 – a Coroa assume a Cia. Lord Canning é o 1º vice-rei.

1863 – Simla, no estado de Himachal Pradesh. se torna capital de verão do Raj.

1885 – fundação do Congresso Nacional Indiano, que forneceu plataforma para exigir o governo independente.

1899-1905 – vice-reinado de Lord Curzon[32].

1905 – separação de Bengala.

1911 – transferência da capital para Delhi, anunciada por um cortejo.

1913 – Rabindranath Tagore[33] é o 1º não europeu a ganhar o Nobel de Literatura.

1919 – Massacre de Jallanwala Bagh – tropas do Gal Reginald Dyer atiraram na multidão desarmada, matando mais de 300 pessoas.

1920 – movimento de não cooperação, lançado por Gandhi[34].

1930-1932 – movimento de desobediência civil.

1940 – Liga Muçulmana adota a Resolução do Paquistão como estado independente.

1942 – Movimento “Deixem a Índia”, convocado por Gandhi.

1947 – fim do domínio britânico na Índia. Houve muitas migrações de hindus e muçulmanos e levantes, em que morreram milhares de pessoas. Como 1º ministro, Jawaharlal Nehru [35] lançou os fundamentos de um Estado moderno.

1948 – assassinato de Gandhi.

1951-2001 – alfabetização foi de 18% para 66% e há excedentes de alimentos.

1952 – 1ª eleição geral, com sufrágio universal.

1961 – Goa, estado indiano na costa do mar da Arábia, libertado do domínio português.

1962 – guerra entre Índia e China, que invadiu o nordeste da Índia.

1965 – guerra com Paquistão.

1966 Indira Gandhi tornou-se primeira ministra.

1971 – Indira Gandhi despojou os príncipes de seus títulos e aboliu suas rendas privadas. Ajudou o Paquistão Oriental na luta contra o Ocidental, o que levou à formação de Bangladesh[36].

1975 – Indira Gandhi impôs um Estado de Emergência, com censura à imprensa e prisão de dissidentes.

1977 – Indira Gandhi derrotada nas eleições.

1980 – Indira Gandhi voltou ao poder.

1982 – Índia envia cientistas à Antártica.

1984 – Indira Gandhi assassinada por sua guarda sique. Seu filho, Rajiv Gandhi[37] assumiu o poder.

1991 – Rajiv Gandhi é assassinado por extremistas tamils – povo dravidiano habitante do sul da Índia, na campanha eleitoral.

1992 – destruição da mesquita Babri Masjrid leva a distúrbios comunitários.

1996 (a partir de) – uma série de governos de coalizão esteve no poder.

1998 – Amartya Sen ganha Nobel de Economia. BJP (Partido Bharatiya Janata) assume o poder. A. B. Vajpayee se torna Primeiro Ministro.

1999 – conflito com o Paquistão em Kargil, na Cashemira.

2000 – população chega a 1 bilhão.

2001 – terremoto em Gujarat, estado do oeste.

2004 – tsunami atinge Tamil Nadu, estado do sudeste e as ilhas Andaman na baía de Bengala, oceano Índico.

2007 – Prattibha Palil torna-se a 1ª mulher presidenta da Índia.



[1] As principais cidades tinham estruturas de tijolos, ruas em padrão de grade e elaborados sistemas de esgoto. Há ruínas de duas cidades: Lothal e Dholavira, em Gurajat.

[2] Estas religiões se popularizaram: não tinham castas nem sacrifícios e eram abertas a todos. Não tratavam de Deus e defendiam ahimsa: não agressão aos seres vivos. O Jainismo é uma das religiões mais antigas da Índia, juntamente com o hinduísmo e o budismo, compartilhando com este último a ausência da necessidade de Deus como criador ou figura central.

[3] Último dos 24 Tirthankaras (ser que conseguiu escapar do ciclo dos renascimentos e que ensinou aos outros como poderiam também escapar. A palavra é sinónimo de Jina = vencedor) do Jainismo. É considerado o fundador ou reformador deste sistema religioso.

[4] Vasto planalto, que conforma a maior parte do centro e do sul da Índia.

[5] 1225-1274 – frei dominicano, filósofo, teólogo, distinto expoente da escolástica, proclamado santo e Doutor da Igreja cognominado Doctor Communis ou Doctor Angelicus pela Igreja Católica Seu maior mérito foi a síntese do cristianismo com a visão aristotélica do mundo, introduzindo o aristotelismo, sendo redescoberto na Idade Média, na Escolástica anterior, compaginou um e outro, de forma a obter uma sólida base filosófica para a teologia e retificando o materialismo de Aristóteles. Em suas duas summae, sistematizou o conhecimento teológico e filosófico de sua época: a Summa theologiae e a Summa contra gentiles. A partir dele, a Igreja tem uma Teologia (fundada na revelação) e uma Filosofia (baseada no exercício da razão humana) que se fundem numa síntese definitiva: fé e razão, unidas em sua orientação comum rumo a Deus. Sustentou que a filosofia não pode ser substituída pela teologia e que ambas não se opõem. Afirmou que não pode haver contradição entre fé e razão. Explica que toda a criação é boa, tudo o que existe é bom, por participar do ser de Deus, o mal é a ausência de uma perfeição devida e a essência do mal é a privação ou ausência do bem. Além da sua Teologia e da Filosofia, desenvolveu também uma teoria do conhecimento e uma Antropologia, deixou também escrito conselhos políticos: Do governo do Príncipe, ao rei de Chipre, que se contrapõe, do ponto de vista da ética, ao O Príncipe, de Nicolau Maquiavel.

[6] O Império dos Kushana foi um estado político que teve o seu auge localizado entre os territórios atuais do Tajiquistão, Mar Cáspio, Afeganistão e vale do rio Ganges. A tribo dos Kushana pertence à etnia dos Yuezhi, que vive atualmente em Xinjiang, na China, e, possivelmente relacionados com os Tocarianos.

[7] Tipo de monumento ou parte de um templo, construído em forma de torre, geralmente cônica, circundada por uma abóbada e, por vezes, com um ou vários chanttras (toldos de lona). Originalmente, era um monumento funerário de pedra, semiesférico, com cúpula, mirante e balaustrada. Com o budismo, evoluiu para uma representação arquitetônica do cosmo.

[8] Ajanta é um conjunto de cavernas com pinturas rupestres de inspiração budista em Maharashtra (Índia) que remontam ao século II a.C.

[9] Filho de Chandra Gupta I de Magadha, primeiro imperador da Dinastia Gupta, é considerado como um dos maiores gênios militares da História da Índia.

[9] Império estabelecido por uma dinastia budista na parte oriental da Índia subcontinental. Pala significa protetor.

[10] Juntamente com Shiva e Brahma formam a Trimurti, a trindade divina hindú, sendo Vishnu o deus responsável pela manutenção do universo.

[11] É o deus renovador. Aquele que destrói para reconstruir. Um dos dois deuses mais poderosos do hinduísmo. Apresenta-se de várias formas: o extremado asceta, o matador de demônios envolvido por serpentes e com uma coroa de crânios na cabeça, o senhor da criação a dançar num círculo de fogo ou o símbolo masculino da fertilidade. Mais que os outros deuses é uma mistura de cultos, mitos e deuses que veem desde a pré-história da Índia. É a representação do Espírito Santo no hinduísmo.

[12] Nalanda significa “aquele que dá conhecimento”. Chegou a ter mais de 10 mil alunos. Em 1193, a Universidade foi saqueada por invasores muçulmanos. Quando o tradutor tibetano Chag Lotsawa visitou-a em 1235, encontrou-a em parte destruída, mas ainda funcionando com poucos monges. A destruição de Nalanda assim como de templos e monastérios no norte da Índia, onde havia centros de estudos, é considerada a causa do súbito desaparecimento do antigo pensamento científico indiano na matemática, astronomia, alquimia e anatomia. Restam algumas ruínas de Nalanda, que hoje não é mais habitada. Em 1951, um moderno centro de estudos budistas Pali (Theravada) foi fundado perto de Nalanda, o Nava Nalanda Mahavihara. O Museu de Nalanda contém alguns manuscritos e vários itens achados em escavações.

[13] No Decã ocidental construíram grandes templos em Badami, Pattandakal e Aihole.

[14] Império estabelecido por uma dinastia budhista na parte oriental da Índia subcontinental. Pala significa protetor.

[15] Todos se denominavam rajaputras, “filhos dos reis” e se diziam descendentes do sol, da lua, do fogo e de antepassados místicos. Assim como outras dinastias, guerreavam entre si e não foram capazes de se unir contra ataques externos. Nessa época, já se cultivavam mais de 100 tipos de cereais e houver grande florescimento da literatura, escultura e arquitetura de templos.

[16] Santo, filosofo e poeta. Aos 10 anos já era um prodígio acadêmico. Fez de sua vida um exemplo que pudesse reconduzir os homens à senda da verdade. Em pouco tempo Shakara começou a ensinar entre os eruditos do pai, convertendo primeiro os professores, depois os alunos deste. Ao deixar o corpo físico, tinha só 32 anos. Durante este breve período, fundou quatro monastérios e criou 10 ordens monásticas. Foi a 1ª vez em que se organizou o monasticismo na Índia, e o sistema de Shankara perdura até hoje. Era mais um reformador do que um inovador.  Sua produção literária é enorme.

[17] Governador do império Ghaznavide, tornou a antiga capital da província de Ghazni na mais rica cidade e capital de um extenso império, que incluiu o território pertencente ao atual Afeganistão, uma parte do atual Irã, bem como algumas regiões a noroeste da Índia, como o atual Paquistão. Foi igualmente o 1º governador com o título de Sultão, que significou a sua quebra com a suserania do Califa.

[18] Um título do lorde Rishabha, o 1º Tirthankar do Jainismo.

[19] Teólogo, filósofo, poeta e escritor hindu, famoso por apresentar um comentário alternativo ao comentário advaita de Shankara aos Brahma-sutras, estabelecendo a linha de pensamento denominada vishistadvaita, uma interpretação do Vedanta considerada teista.

[20] Tradição do Hinduísmo, que se distingue de outras escolas por sua adoração a Vishnu, ou seus avatares associados (como Rama e Krishna), na categoria de original e supremo Deus.

[21] Minarete de tijolo mais alto do mundo, e importante exemplo de arquitetura indo-islâmica.

[22] Sufismo é uma corrente mística e contemplativa do Islã. Os sufis procuram desenvolver uma relação íntima, direta e contínua com Deus, utilizando-se, da prática de cânticos, música e dança, o que é considerado ilegal pela sharia de vários países muçulmanos.

[23] Compôs poemas que evidenciam a fusão entre o movimento de bhakti hindu e o sufismo muçulmano, movimentos religiosos que exercem profunda influência cultural em todo o mundo até os nossos dias.

[24] Religião monoteísta fundada em fins do século XV no Punjab (região dividida entre o Paquistão e a Índia).

[25] Navegador e explorador português, comandou os primeiros navios a navegar da Europa para a Índia, na mais longa viagem oceânica até então realizada, superior a uma volta completa ao mundo pelo Equador. No fim da vida foi, por um breve período, um dos governadores da Índia.

[26] Essa dinastia incentivou muito a literatura, arquitetura e artesanato, unindo o que havia de melhor nas tradições islâmicas e hindus.

[27] Cidade em estilo indo-islâmico com aproximadamente 500 anos, abandonada por falta de água apenas 14 anos após sua construção, e que permanece em ótimo estado.

[28] Considerado inteligente, eficiente e impiedoso, além de ser um devotado muçulmano. Começou o seu reinado prendendo o velho e doente pai, o xá Jahan, e matando os irmãos, seus rivais para o trono. Uma série de conquistas permitiu-lhe estender o Império Mogol cobrindo quase toda a Índia e Paquistão atuais e parte do Afeganistão. No entanto, nunca submeteu inteiramente os maratas do Decão, a parte peninsular da Índia e, já perto de sua morte, sua autoridade era amplamente desafiada. O fanatismo religioso de Aurangzeb levou-o a perseguir a população hindu, em vez de continuar uma política de conciliação, tal como fizera o seu avô Akbar. Foi talvez isso que apressou a fragmentação do império logo após a sua morte, aos 88 anos. Deixou a economia arruinada e sucessores fracos.

[29] Maratas – grupo étnico indo-ariano que vive no estado indiano de Maharashtra. Expandiram suas terras após 1647. Transformaram-se num estado poderoso no início do sec. XIX.

[30] Também conhecido como Clive da Índia, foi um oficial britânico, que estabeleceu a supremacia política e militar da Cia em Bengala. Responsável por garantir a Índia e a riqueza que se seguiu, para a coroa britânica, juntamente com Warren Hastings derrotou os franceses e os seus aliados indianos em Arcot (1751), Calcutá (1757) e Plassey (1757), sempre em inferioridade numérica. Foi governador de Bengala de 1757-1760 e novamente de 1764-1767.

[31] Antigo costume entre algumas comunidades hindus, hoje proibido pelas leis do Estado Indiano, que obrigava (no sentido honroso, moral, e prestigioso) a esposa viúva devota a se sacrificar viva na fogueira da pira funerária de seu marido morto. O termo é derivado do nome original da deusa Sati, também conhecido como Dakshayani, que se autoimolou, porque ela foi incapaz de suportar a humilhação de seu pai Daksha por viver enquanto seu marido Shiva morreu. O termo também pode ser usado para referir-se à viúva ou à mulher honesta.

[32] Nobre, diplomata, geógrafo político e estadista britânico. Governador-geral da Índia (1899-1905), deteve vários cargos políticos e acadêmicos, e escreveu muitas obras sobre geopolítica.

[33] Poeta, romancista, músico e dramaturgo, reformulou a literatura e a música bengali no final do século XIX e início do século XX.

[34] Mohandas Karamchand Gandhi, dito Mahatma, que em sânscrito significa “grande alma”, foi um dos idealizadores e fundadores do moderno Estado indiano e um defensor dos princípios da não-violência e da Verdade como um meios de protesto.

[35] 1º (e até hoje o de mandato mais longo) primeiro-ministro da Índia, de 1947-1964. Líder da ala socialista no congresso nacional indiano durante e após o esforço da Índia para a independência do império britânico.

[36] País asiático rodeado quase por inteiro pela Índia, exceto a sudeste, onde tem uma pequena fronteira terrestre com Myanmar, e a sul, onde tem litoral no Golfo de Bengala.

[37] Primeiro-ministro da Índia entre 1984 e 1989 e líder do Partido do Congresso Nacional Indiano. Filho mais velho de Indira Gandhi, a quem sucedeu no governo indiano após seu assassinato por seus guarda-costas sikhs (nota 14).