Meu pai foi um palmeirense verde, o que sempre despertou minha simpatia pelo Verdão, mas nunca me liguei muito nesse esporte. Em 1970, aos 15 anos, tomei contato mais direto com o futebol pela 1ª vez, graças àquela Copa do Mundo no México. Foi inesquecível! O Brasil ganhou todos os jogos, com um TIME verdadeiramente impecável. Os 4 X 1 na final contra a Itália permanecem na memória de tant@s quant@s tenham visto, torcido, vibrado e se emocionado demais!!

A partir de então, acompanhei todas as Copas, mas nunca mais me empolguei como na de 70. Desta vez, confesso que logo que o presidente Lula conquistou a realização da Copa 2014 no Brasil, não me animei muito. Cheguei até a pensar que seria uma boa ideia estar longe da “muvuca”.

Em 2010 fui ao Peru e me deixei contaminar pela animação do pessoal. Não houve um único cidadão[1] peruano com quem tenha trocado algumas palavras, que não tenha afirmado sua intenção de vir ao Brasil na Copa.

O tempo foi passando e eis que, nas manifestações sem foco de 2013, uma das inúmeras e desencontradas bandeiras era “não vai ter Copa!” Como assim?! Por que não?!? Já contaminada desde 2010 pela grande festa que prometia ser a Copa no Brasil, acrescentei a antipatia dos coxinhas e aí sim, desejei intensamente não só que tivesse Copa (isso já estava garantido), como que fosse linda, alegre, vibrante, receptiva, como de fato foi.

Abra-se exceção aos representantes da elite brasileira que, ao xingar a presidenta na abertura, fizeram questão de exibir para todo o planeta que não tem educação. Repetiram sua total falta de civilidade e cordialidade ao vaiar o hino do Chile! Perdón, Hermanos! Exceção também deve-se abrir aos sem noção que insistiram em protestar contra a Copa… em plena Copa!

Os coxinhas que NUNCA, JAMAIS EM TEMPO ALGUM se preocuparam com políticas sociais, porque SEMPRE olharam apenas para o próprio umbigo, “DE REPENTE, NÃO MAIS QUE DE REPENTE”, DO NADA parece que foram assolados por uma súbita conscientização (será mesmo?!?) e passaram a se preocupar intensamente com Educação e Saúde! E tão preocupados permanecem, que não são capazes de fazer contas simples, que demonstram que só em 2013 o governo federal gastou em Educação 10 vezes o que foi investido na Copa. Se comparar com Saúde, sobe a 12 vezes! Se somar tudo o que governo federal + governos estaduais (os verdadeiros investidores em estádios) + governos municipais gastaram com Educação em 2013, chega-se a 212 vezes o que investiram na Copa!! Mas os “preocupados” não ouvem, não entendem, ou fazem que, pois, por absoluta falta de argumentos, continuam repetindo a mesma ladainha.

Ainda que… em pouco tempo uns tantos tenham trocado suas bandeiras “não vai ter Copa” pela torcida pelo BRASIL. Ainda bem que acordaram… sempre atrasados! Talvez tenham despertado desta vez influenciados pela imprensa do 1º mundo, que não economizou elogios à Copa no Brasil, em todos os sentidos. Isto depois de perceber que estava sendo desinformada pela própria mídia brasileira!… Será isso esquizofrenia e/ou bipolaridade?!?

 Sempre me orgulhei de ser brasileira. Fui ensinada em casa e na escola (no saudoso Externato “Assis Pacheco”) a respeitar o país e todos os símbolos patrióticos, inclusive @ presidente, claro). Sim, sinto-me abençoada por ser brasileira, porque reconheço inúmeras vantagens nisso, sem desconhecer todos os problemas que temos (quem não tem?) Meu orgulho só aumenta com os incontáveis elogios de estrangeiros de todas as partes do planeta, que se encantam com nossa acolhida, alegria, afeto, além de nossa beleza natural, sem falar na organização da Copa (sim!), segurança, transporte, hospedagem, comida gostosa (sim!!!!)

Também nunca confundi esporte com politica. Se assim fosse, não poderia ter torcido justamente na 1ª Copa de minha vida, quando o país estava mergulhado numa ditadura militar, muito dura mesmo! Nessa confusão estão incluídos os que rasgam/queimam nossa bandeira e mostram, mais uma vez, que além de não ter educação básica, também não tem educação cívica. Os yellow blocks

Hoje me sinto felicíssima por ter estado no país durante esse maravilhoso evento. É claro que houve problemas! (Onde e quando não há?) Só quem carece de um mínimo de sensibilidade não sentiu a energia que contaminou todo o país. Energia de todos os visitantes somada, evidentemente, à nossa que, por natureza, é inquestionável! Sim, o Brasil é vibrante e não deve se envergonhar de sua alegria, seu Carnaval, seu futebol que encantam o mundo todo.

 Também temos inúmeros exemplos de sucesso em outras áreas, bem como em nossas prefeituras populares e democráticas, em alguns estados e em dezenas (ou mais) de programas nacionais sociais. Porém os cegos não querem ver, os surdos não querem ouvir e os (poucos?) bem informados que simplesmente não gostam deste ou daquele dirigente, emudecem.

 Se um dos principais fatores de equilíbrio é viver o momento presente, esteve muito bem equilibrado quem acompanhou os jogos: a maioria dos brasileiros e também inúmeros estrangeiros, no Brasil e em todo o planeta. Cheguei a achar graça de quem disse que não viu nenhum jogo (respeitadas as preferências, claro). Sem falar dos urubus, que torceram (torcem) contra o Brasil desde o início, alegando, inclusive, que muitos estavam tendo prejuízo por causa dos semiferiados nos dias de jogo…

 Para inúmeros brasileiros (e estrangeiros) entre os quais me incluo, foi um mês de festa: não férias, mas FESTA. No ano passado eu já havia acompanhado todos os jogos do Brasil na Copa das Confederações, pela 1ª vez, só porque aconteciam aqui no país. E gostei! Agora acompanhei todos os jogos possíveis e amei!!

 Desde o inicio sabíamos que essa seleção não era um verdadeiro “time”. Sofremos de forma crescente a cada novo jogo. Torcemos, vibramos, nos emocionamos, comemoramos! E isso ninguém vai nos tirar. De uma forma ou de outra chegamos até o jogo da semifinal. Porém, toda a imensa maioria de brasileiros – e outros tantos estrangeiros – que torceu em todos os jogos para o Brasil (ou não) sabia do grande risco que era o jogo com a Alemanha e temia a derrota. Até aí, perder faz parte, mas por 1X7, não deixa dúvida: foi horripilante e isso ficará para sempre na história das Copas e da seleção brasileira, em particular. Uma das consequências nefastas dessa derrota e que pode voltar com força e rapidamente é o “complexo de vira-lata”[2] aliado à “vitória” dos já citados urubus.

 Agora só nos resta torcer para que um verdadeiro técnico forme um verdadeiro TIME e treine pra valer de forma que venhamos a brilhar na Copa na Rússia. Os que entendem de futebol (há tempo) vem dizendo que mudar o técnico é necessário, mas não suficiente: precisa mudar toda a direção da CBF – acredito!

 Que tal um time a partir de craques locais, muito bem treinados nos próximos quatro anos? Seria uma maioria de no mínimo 2/3, particularmente os titulares, residentes no país! Por que não?!? Que tal a volta ao futebol arte (já que o que está aí não está dando certo?) Afinal, o Brasil é um país de craques, que só precisam ser identificados, reconhecidos, treinados, enfim: precisam de oportunidade para desenvolver sua arte! (Como tantos outros em várias outras áreas, claro).

 E mais: que tal praticar Yoga, como fazem os jogadores alemães? Sou praticante há mais de 30 anos e também professora formada e posso afirmar: a prática de Yoga certamente garante autocontrole, concentração e equilíbrio (não frieza) à seleção alemã!

 E pra falar nos últimos jogos… dormi no do Brasil X Holanda. Cheguei a ouvir o 1º gol de pênalti, dormi e acordei pensando que havíamos perdido por 0 X 1 … êta sono oportuno! Quanto à final, por uma questão meramente aritmética (emoção pra valer, só nos jogos do Brasil), torci pra Argentina que seria tri, se ganhasse. Alemanha é tetra. Reconheço, porém, que foi o melhor TIME em toda a Copa e mereceu ser campeã. Parabéns, Alemanha!

 * * *

 Lamento profundamente pelos brasileiros que fugiram da Copa. Por melhores que tenham sido seus passeios, poderiam acontecer em qualquer outro momento. A festa que perderam não voltará, ainda que talvez não demore muito outra Copa no Brasil, dado o sucesso que esta teve! Tomara!!



[1] Masculino.

[2] “Complexo de vira-lata” é uma expressão criada pelo dramaturgo e escritor brasileiro Nelson Rodrigues, a qual originalmente se referia ao trauma sofrido pelos brasileiros em 1950, quando a Seleção Brasileira foi derrotada pela Seleção Uruguaia de Futebol na final da Copa do Mundo em pleno Maracanã. O Brasil só teria se recuperado do choque em 1958, quando ganhou a Copa do Mundo pela 1ª vez. Para Rodrigues, o fenômeno não se limitava somente ao campo futebolístico: “por ‘complexo de vira-lata’ entendo a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo“. Ainda segundo Rodrigues, “o brasileiro é um narciso às avessas, que cospe na própria imagem. Eis a verdade: não encontramos pretextos pessoais ou históricos para a autoestima“.