chieffi » Índia http://chieffi.com.br site da ana maria chieffi Sun, 10 Sep 2017 04:09:31 +0000 en-US hourly 1 http://wordpress.org/?v=3.5.2 Yoga, dependência química e o trabalho do Padre Joe Pereira[1] http://chieffi.com.br/yoga-dependencia-quimica-e-o-trabalho-do-padre-joe-pereira1/ http://chieffi.com.br/yoga-dependencia-quimica-e-o-trabalho-do-padre-joe-pereira1/#comments Thu, 23 Jun 2016 19:31:21 +0000 Ana Chieffi http://chieffi.com.br/?p=8033 Read More »]]>

Padre Joe Pereira nasceu em 1942 em Goa, Índia, onde seus antepassados chegaram no século XVI. Em 1510, dominada pelos portugueses, Goa tornou-se a capital do Estado Português da Índia. Fica a cerca de 400 Km ao sul de Bombaim. Considerado o menor dos estados indianos e o mais rico em renda per capita, foi domínio de Portugal por 451 anos, quando em 1961, Goa foi finalmente integrada, à força, na União Indiana.

 Através de um chamado espiritual, ainda jovem, ele se recolheu em um seminário onde passou uma década recebendo treinamento adiantado para ser ordenado. Pratica yoga desde a década de 60 e foi ordenado em Mumbaí, em 1970, onde trabalhou em paróquia. Também é professor de Yoga. É internacionalmente conhecido pelo tratamento de dependentes químicos e portadores de HIV utilizando o yoga e meditação.

 A partir da autorização Concílio Vaticano II para incorporar elementos de filosofia e de outras religiões que pudessem favorecem a prática cristã, o Padre assimilou em seu sacerdócio elementos da filosofia e religião hindu. Essa assimilação também tem outras raízes históricas, que criaram estreitos laços entre o hinduísmo e o cristianismo. A explicação é que o trabalho do padre Joe é considerado um exemplo de aculturação, uma prática aceita pelo Vaticano que estimula os padres a adaptar costumes e ritos religiosos regionais ao catolicismo. Na Índia, sempre houve a convivência entre cristãos e hindus. Os primeiros missionários cristãos da Igreja Católica sempre viveram como monges hindus, explica Joe.

 Em 1971, conheceu Madre Tereza de Calcutá, numa época em que ele pensava em abandonar a vida religiosa. “E orei junto à Madre Tereza. Ela pediu para que não deixasse a Igreja, que Jesus necessitava de mim, recorda o padre”. Ele diz que as figuras mais influentes na sua vida foram o mestre indiano de yoga B.K.S. Iyengar e a Madre Teresa de Calcutá que uma vez, preocupada, lhe perguntou: Padre Joe, o que é esse yoga que você anda ensinando às minhas freiras?. Pois Padre Joe estava a ensinar yoga em resposta as freiras que andavam cochilando durante as orações.

 Madre Teresa se convenceu dos poderes terapêuticos do yoga e deu ao padre forte apoio para a criação, em 1981, da Fundação Kripa, que foi estabelecida pelo Padre Joe, junto com um dos alcoólatras recuperado pelo programa da paróquia. Eles uniram em um único programa os 12 Passos dos Alcoólicos Anônimos, instruções de yoga, meditação e técnicas ocidentais psicológicas como Dyads e Gestalt. Atualmente, a Fundação Kripa se tornou a maior organização não governamental (ONG) de saúde da Índia. Abrange 51 institutos espalhados pelo país, já havia atendido mais de 30 mil portadores de HIV e dependentes em 2010 e, de acordo com o padre, 65% dos atendidos são recuperados. A entidade que procura manter a essência do trabalho realizado por Madre Tereza, reúne 560 curadores, sendo que 2/3 deles são pessoas que eram doentes e hoje são considerados curadores feridos.

 Para Padre Joe Pereira, quando se soma a meditação de yoga ao trabalho corporal, o que podemos gerar é uma conexão com a experiência direta com Deus, uma ferramenta poderosa para encontrar o espírito dentro do corpo. De acordo com o padre: “É uma disciplina muito difícil e rigorosa, mas é exatamente o que Cristo nos pediu para fazer. Yoga é a melhor forma de oração contemplativa, não trabalha apenas o corpo, a mente, a respiração, mas deve atingir o espírito que habita em nosso interior. Esse método reorganiza o pensamento e a consciência das células.” Na visão de Padre Joe Pereira, os alcoólatras e viciados perdem a consciência da realidade e, por consequência se comportam de maneira inadequada. Nós reeducamos o pensamento. O corpo tem potenciais infinitos de cura e, quando você condiciona o cérebro, você consegue modificar o comportamento. Através dessa reestruturação, os viciados podem ficar menos dependentes de medicamentos.

 Yoga é uma ciência que faz esse trabalho de coordenação entre o corpo, a mente e a alma. Famoso na Índia, o padre que passou grande parte da vida tentando atenuar as desconfianças e construir pontes entre as duas tradições hindu e cristã, fala de Jesus como o Yogui Supremo, porque somente um yogui pode dizer Eu e o Pai somos Um. Para ele, o yoga é um caminho para a entrega total, ou unidade com Deus.

 Padre Joe Pereira se descreve como um celibato sexual desde que começou a aprender o yoga. Ele diz que aprendeu, por meio da prática, a não negar sua energia sexual. Negar essa energia leva à pedofilia e outras explosões perigosas. Segundo ele, a energia sexual reprimida vira satânica, explica. Em vez disso, ele diz que o Yoga ensina técnicas a sublimar sua energia sexual e usá-la para manter uma vida saudável. Apesar dessa visão não ortodoxa, Padre Pereira vem conseguindo manter um forte apoio de líderes católicos indianos ao seu trabalho.

 O que fazer para combater o vício da dependência – A prática do yoga nos aproxima da nossa essência, nos tira da confusão do mundo exterior que é a vida mundana, de devaneios e nos traz ao cerne do Ser, para um estado interior de segurança e clareza. Isto independe de nacionalidade, sexo ou de qualquer etnia, pois é o que qualquer pessoa consciente ou inconscientemente anseia. Padre Joe Pereira pede para termos atenção que desde os anos 30 se tem procurado tratamentos, sem sucesso. Segundo ele, não há um medicamento eficaz contra a dependência química. Em 1935, em Ohio dois alcoólicos se sentaram juntos integraram tudo o que até aquele momento, a Medicina, a Psicologia e a Religião podiam oferecer e formaram a Autoajuda (Associação dos Alcoólicos Anônimos). Padre Joe Pereira utiliza este programa junto com o fator importante da FÉ. De acordo com ele, Jung disse que a psicologia não ia entender as recaídas. Os homens das diversas religiões tentam, mas sabemos que religião pode ser ópio do povo. A dificuldade encontrada por Padre Joe é que quando se fala de Deus aos dependentes químicos, eles fogem. Então Padre Joe deu-lhes o mesmo programa sem falar em Deus e diz: “- Vamos trabalhar seus corpos, pois foram maltratados. – Vocês não precisam tomar drogas porque estão saindo do uso de drogas. – Aprenda a ouvir o seu corpo, porque a mente é mentirosa, mas o corpo não mente. – Aprendam a ouvir o corpo e a falar com o corpo.”

 Fazer trabalho com o corpo – o corpo é Templo de Deus. Como de costume, em geral, Padre Joe Pereira inicia suas palestras com voz intensa e forte como, por exemplo, no mosteiro de São Bento, em 2009, onde entoou um mantra, com melodia sonora de tons baixos que induzem a concentração, interiorização e relaxamento; oração que se refere a Deus como: verdade, consciência e felicidade. Padre Joe sabe que quando se começa a amar o corpo, se inicia o caminho de volta à vida. Então começa a se ter contato com o Espírito de Deus que mora em nós. Para ele, no dependente químico a vontade própria ficou enlouquecida. Segundo Padre Joe, o dependente químico vive sozinho, consigo mesmo. Levá-lo a ver que nasceu para o Amor os tira do estado de solidão. Amor para Padre Joe Pereira é relação: Eu-Tu. Se você tira o Tu da relação, ela (a relação) se torna em: Eu Coisa. Esta coisa poder ser a droga, ou o sexo ou um deus qualquer que está fora de nós, até mesmo uma religião compulsiva que não liberta e que cria dependência. Por isso, Padre Joe conduz o dependente químico a se relacionar com o Deus que está dentro dele. Em sânscrito: Antavatar, o controlador interno. O yoga nos ajuda a manter a disciplina, adquirir uma coluna ereta e uma saúde que nos permite com conforto aquietar a mente e consequentemente o coração. A confiança interior adquirida com yoga é um excelente antídoto contra a pressão sofrida na vida diária. No yoga a recompensa provém simplesmente da própria prática. A expressão é livre de medos, julgamentos e críticas. Essa liberdade ajuda a desenvolver um senso de confiança e autoestima. Com o Hatha Yoga, não é somente o corpo que trabalhamos, mas a vida. E quando falamos de vida, na verdade envolvemos tudo a nossa volta: nossas interrelações com família, amigos e colegas. Padre Joe diz que o controlador interno é Jesus ressuscitado dentro do nosso batismo. Para ele, o viciado trabalha só com o Ego. E mudamos o controle do Ego para o Espírito de Deus que vive em nós. Isso é difícil porque tem que morrer para si mesmo. Quando se volta a si mesmo a energia do corpo vai para baixo; para a autogratificação: comida e sexo. Mas este é um tipo de necrofilia, leva à morte. Durante o processo de recuperação deve-se mostrar que o dependente químico está sozinho e ensinar como ele se conecta com Deus, o Espírito que habita em nós.

 A saúde da coluna como um estado de oração – Segundo o padre, há outro tipo de energia dentro de nós que é capaz de levar a energia para cima. É a autonegação. Quando vemos que a energia vai para baixo devemos trazê-la para cima. São dois tipos de movimentos: 1 Energia da vida trazê-la para cima. 2 A inteligência que está na cabeça trazê-la ao coração, para baixo. Quando estas forças vitais se encontram no coração então se consegue um estado de beatitude. Daí a necessidade de sentarmos eretos, corretamente para a oração, porque senão só rezamos com a cabeça. Há três canais energéticos na coluna vertebral: um positivo, um negativo e um neutro. Padre Joe, diz que para ele, o positivo é seu guru, Iyengar; o negativo é a Madre Tereza e o neutro é Jesus Cristo.

 Podemos aproveitar a combinação da palavra mantra com a respiração. Quando rezamos e o cérebro está ligado, isto é, estimulado demais, só conseguimos falar, mas não rezar. Precisamos silenciar a mente. Quando se pratica o exercício e silencia a mente, então se pode rezar com a mente. No tratamento de recuperação do Padre Joe é no 3º passo que os dependentes aprendem a deixar a vida e a mente nas mãos de Deus. No 7º. Passo aprendem a rezar e pedir a Deus que lhes tire os problemas. O 11º. Passo é rezar para que o contato da consciência com Deus seja melhorado.

 Pedindo a Deus… – Tentando colocar tudo na mão de Deus, reconhecendo o seu poder de solução. Com yoga, aprende-se mover o corpo positivamente, e isso tem profunda influência sobre o humor e a autoestima porque a relação entre postura e humor é direta e recíproca. O método de trabalho de Padre Joe é um método psicossocial e psicossomático.

 O tratamento da esquizofrenia decorrente de dependência química – Quando na Esquizofrenia se trabalha com o corpo e meditação a resposta vem melhor. Os médicos na Índia receitam aos esquizofrênicos: aprendam a meditar. O trabalho que se faz com os doentes e suas famílias dão certo. Quando se pratica a Meditação por dois ou três meses, em seguida a vida começa a melhorar, fica renovada. A Meditação somada ao trabalho corporal gera no viciado uma conexão e a experiência direta com Deus. Com a condição de: – silenciar a mente – negar a própria vontade – começar a carregar própria a cruz (assumir suas próprias responsabilidades da vida) – ser fiel Madre Tereza disse: Não pergunte quanto bem ou quanto mal está sucedido e sim quanto estamos correspondendo a Deus. Segundo Padre Joe Pereira, se sabe que alguém está bem quando tem: – alegria de viver; – alegria de amar; – alegria de servir.

 Tenho 51 Casas na Índia diz Padre Joe. Mais de 500 pessoas trabalhando nelas. Dentre estes mais de 400 são recuperados de drogas. Na Índia pedimos ao governo um reconhecimento especial a estes a quem chamamos de Médicos Feridos. Jesus é o Médico Ferido. Vemos o Divino no dependente químico e ele vê o divino em nós. Temos que nos aceitar como nós somos. A prática do Hatha Yoga como processo de cura no tratamento contra a dependência química Para Padre Joe, as pessoas que são dependentes químicos, precisam experimentar um contato consigo mesmo. Usar os dois lados do cérebro, o direito e esquerdo. Os lábios falam, mas o corpo fala mais alto, e às vezes de forma discordante com os lábios. Se envolver o corpo no tratamento, vive melhor. Jesus disse: Se quiser ser meu discípulo negue a si mesmo.

 É necessário respirar muito. Pessoas de três tipos não ouvem a respiração: a) o intelectual; b) o emocionalmente perturbado; c) o psicótico. Então, diz Padre Joe, para a oração contemplativa o intelectual está no mesmo nível do psicótico. Samuel disse: Fala Senhor que seu servo escuta. Então pode se juntar aos 12 Passos do AAA, a Respiração e o mantra. Por exemplo: na respiração, quando se inspira dizer: Senhor Jesus… E na expiração dizer: Tem piedade de mim, Senhor! Devemos levar as pessoas a experimentar isso. Porque quando juntamos na experiência de oração o corpo, a mente e a alma a vida começa a ser renovada. É bom ler o Evangelho de Mateus VII, 26. Mas sobretudo devemos fazer as pessoas chegarem a Deus através do corpo-mente-alma. O Yoga e Meditação são feitos em conjunto. Yoga é uma questão de trazer o corpo de volta à vida pelo Amor. A partir de dados juntados pelo padre, em relação à recaída, se o doente permanecer em tratamento por um ano seguido, não há recaída. É o maior índice de permanência do mundo. Depois de 5 anos, a porcentagem vai para 18% de recaída.

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[1] Fonte: Yogaforum: http://yogaforum.org/

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Minhas viagens http://chieffi.com.br/minhas-viagens/ http://chieffi.com.br/minhas-viagens/#comments Wed, 24 Apr 2013 19:00:15 +0000 Ana Chieffi http://chieffi.com.br/?p=51 Read More »]]> Sempre gostei muito de viajar: conhecer lugares e costumes, intensificar o contato com a natureza. A partir de 1995 fiz várias viagens ecológicas, ecoturismo. Neste link apresento algumas informações destas viagens, bem como minhas recentes e especiais viagens ao Peru/Machu Picchu e à Índia!

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Breve História da Música/da Pré-História a Roma http://chieffi.com.br/breve-historia-da-musicada-pre-historia-a-roma/ http://chieffi.com.br/breve-historia-da-musicada-pre-historia-a-roma/#comments Tue, 23 Apr 2013 20:35:45 +0000 Ana Chieffi http://chieffi.com.br/?p=7127 Read More »]]> PRÉ-HISTÓRIA – o ser humano já produzia uma forma de música que lhe era essencial, pois sua produção cultural constituída de utensílios para serem utilizados no dia-a-dia não lhe bastava; era na arte que encontrava campo fértil para projetar seus desejos, medos e outras sensações que fugiam à razão. Diferentes fontes arqueológicas em pinturas, gravuras e esculturas, apresentam imagens de músicos, instrumentos e dançarinos em ação, no entanto não é conhecida a forma como esses instrumentos musicais eram produzidos.

As primeiras civilizações musicais se estabeleceram principalmente nas regiões férteis ao longo das margens de rios na Ásia central, como as aldeias no vale do Jordão, na Mesopotâmia, Índia (vale do Indo atualmente no Paquistão), Egito (Nilo) e China (Huang He). A iconografia dessas regiões é rica em representações de instrumentos musicais e de práticas relacionadas à música. Os primeiros textos destes grupos apresentam a música como atividade ligada à magia, à saúde, à metafísica e até à política destas civilizações, tendo papel freqüente em rituais religiosos, festas e guerras. Várias destas civilizações possuem eventos musicais relacionados à criação do mundo e suas mitologias freqüentemente apresentam divindades ligadas à música.

Entre os vestígios remanescentes das grandes civilizações, foram encontrados testemunhos escritos em registros pictóricos e escultóricos de instrumentos musicais e de danças acompanhadas por música. Fazendo estudos nos instrumentos encontrados dessa época notou-se o aperfeiçoamento na construção dos instrumentos, com valorização do timbre. A cultura sumeriana, que floresceu na bacia mesopotâmica vários milênios antes da era cristã, incluía hinos e cantos salmodiados em seus ritos litúrgicos, cuja influência é perceptível nas sociedades babilônica, caldeia e judaica que se assentaram posteriormente nas áreas geográficas circundantes.

MESOPOTÂMIA – as primeiras civilizações do planeta surgiram na região do Oriente Médio, em especial na Mesopotâmia. Denominamos este período de “Antiguidade Oriental” e pouco se sabe sobre sua música.

Dentre os povos da Mesopotâmia, os sumérios foram os que mais se destacaram culturalmente. De origens incertas, este povo estabeleceu uma civilização há cerca de seis mil anos. A rica cultura de Sumer floresceu e influenciou, por mais de três mil anos, todos os povos da Ásia Central, como os assírios, cananeus, egípcios, fenícios, babilônios e hebreus. Na Assíria e na Babilônia, a música tinha importante significação social e expressiva atuação no culto religioso. Nas ruínas das cidades desses povos, foram descobertos harpas de 3 a 20 cordas dos sumérios e cítaras de origem assíria. Não foram encontrados registros de um sistema de notação musical, mas alguns documentos cuneiformes datados dos séculos XVIII a.C. a XV a.C. atestam a existência de uma elaborada teoria musical. Trabalhos de tradução publicados pelo padre Gurney e Marcele Duchesne-Guillemin entre 1963 e 1969 revelam que estas tábuas tratavam de um sistema de afinação para uma lira de nove cordas e, por extensão, permitem estabelecer que os sumérios possuiam, além das escalas pentatônicas mais usuais, uma escala diatônica de sete sons.

Foram encontrados também, vestígios de diversos instrumentos avançados para a época. Uma harpa de cordas percutidas, ancestral do piano, flautas de cana e de prata, liras de cinco a 11 cordas, uma espécie de alaúde de braço longo e uma harpa com coluna de apoio (por volta do século XXV a.C.).

Os assírios deixaram vasta documentação de sua cultura musical na forma de pinturas, esculturas, baixos-relevos e textos literários. Os músicos tinham papel proeminente na sociedade e eram mais reverenciados que os sábios. A música, para este povo, era associada ao poder e os músicos dos povos conquistados sempre eram poupados e levados até as cidades assírias para que sua arte pudesse ser absorvida. Este é o 1º povo que se tem notícia a formar grandes orquestras que podiam chegar a 150 componentes entre cantores e instrumentistas.

O legado da cultura mesopotâmica passou aos persas. Segundo o testemunho de Heródoto, o célebre historiador grego, a música teve importante função social, no culto religioso, em momentos de guerra e mesmo em festividades. Mas chegaram a aboli-la do culto, sem deixarem de apreciar, no entanto, os conjuntos vocais e instrumentais, como é possível constatar nos documentos iconográficos. Percebemos através da pintura que eram vários os instrumentos usados por esses povos, já divididos entre instrumentos de sopro, corda e percussão, entre eles: flautas, tímpanos, gongo e lira.

EGITO – nas escavações arqueológicas, realizadas em templo, pirâmides e tumbas, foram encontrados baixos-relevos, murais, mosaicos, textos e objetos que atestam atividades musicais de caráter religioso, militar e social, bem como a existência de instrumentos de música, muitos séculos antes da era cristã. Entre o 6º e o 4º milênio a.C., após o estabelecimento das 1ªs cidades, a dança era a principal manifestação musical e os instrumentos provavelmente vieram do sul da África e da Suméria.

A cultura egípcia, por volta de 4.000 a.C., alcançou um nível elevado de expressão musical, pois era um território que preservava a agricultura e este costume levava às cerimônias religiosas, onde as pessoas batiam espécies de discos e paus uns contra os outros, utilizavam harpas, percussão, diferentes formas de flautas e também cantavam. Os sacerdotes treinavam os coros para os rituais sagrados nos grandes templos. Era costume militar a utilização de trompetes e tambores nas solenidades oficiais.

Na época do Império Antigo, entre a III e X Dinastias, 2.635 a 2.060 a.C., a música egípcia viveu seu auge. Muitas representações mostram pequenos conjuntos musicais, com cantores, harpas e flautas e inscrições coreográficas descrevem danças realizadas para o faraó. Dos conjuntos musicais também faziam parte algumas pessoas que somente batiam palmas.

No Império Médio (XI a XVII dinastia) conjuntos maiores e até orquestras são representados. Entre os instrumentos há harpas, alaúdes, liras, flautas, trombetas, tambores e crótalos. No Império Novo (XVIII a XX dinastia), estes instrumentos se aperfeiçoam. A música passa a ter papel ritual e militar.

Alguns instrumentos foram encontrados em escavações de pirâmides, templos e túmulos subterrâneos do Vale dos Reis mas, infelizmente, nenhum deles de afinação fixa. A escala egípcia era diatônica, com tons e semitons, conforme se pode deduzir pelas flautas encontradas. A harpa, como instrumento nacional, foi elaborada nas mais luxuosas e elegantes formas. A arte egípcia, através de seus instrumentos musicais e papiros com diversas anotações, atingiu outras civilizações antigas, como a Cretense, a Grega e a Romana.

Muitos afrescos mostram músicos ajoelhados e vestidos como escravos. A posição subalterna não permitia a transmissão dessa arte pouco valorizada através dos textos.

O povo tinha seus cantos tradicionais, religiosos – principalmente através de transes místicos para a cura de doenças dos corpos físico, mental, emocional e espiritual -, profanos, guerreiros e de trabalho. Os instrumentos de corda, harpa e cítara eram artisticamente elaborados. Os egípcios tinham flautas simples e duplas (oboés) e instrumento típicos de percussão, como crótalo e sistros e principalmente os tambores.

Fazia-se música tanto no palácio do faraó como no trabalho do campo ou ainda no culto dos mortos. Eram normalmente as mulheres que tocavam. A música tinha uma origem divina e estava muito ligada ao culto dos deuses, havendo alguns especificamente associados a ela.

A cultura musical do Egito Antigo entrou em decadência junto ao próprio Império. Com as sucessivas invasões, a música do Egito passou a ser influenciada pelos gregos e romanos, perdendo sua independência.

ÁFRICA – nessas tribos e também nas indioamericanas a música reveste-se sobretudo de um cariz mágico, entoada nos seus vários rituais de passagem. A cultura musical africana não árabe é peculiar por complexos padrões rítmicos, embora não apresente desenvolvimento equivalente na melodia e na harmonia.

Na Ásia, onde a influência de filosofias e correntes religiosas como o budismo, o xintoísmo, o islamismo etc. foi determinante em todos os aspectos da cultura; os principais focos de propagação musical foram a civilização indiana do 3º milênio antes da era cristã e a chinesa. Ambas se mantém em ininterrupta continuação, ao contrário de outras, extintas.

ÍNDIA – a mitologia hindu diz que Shiva ensinou a música aos homens há cerca de 6 mil anos. A civilização pré-ariana tornou-se próspera e é provável que uma cultura musical própria tenha se desenvolvido, possivelmente com influências da Mesopotâmia. Embora os Vedas[1] documentem a importância religiosa da música na civilização indiana e forneçam extensa informação mitológica, nenhum documento ou informação precisa sobre como seria essa música foi encontrado. Desse fato decorre que pouco ou nada se sabe sobre os instrumentos, escalas e a teoria musical na Índia Antiga. A escrita musical era registrada por algarismos ou letras do alfabeto sânscrito.

Os Vedas foram compostos na forma de poesia e era cantada com ritmo. Essas melodias com o tempo integraram a vida inteira do ser humano desde o nascimento até a cremação e assim a música colocou o mito perto da criação e da natureza. Convivendo com a natureza as pessoas aprenderam o efeito das notas nas estações do ano e isto ajudou a transformar o trabalho em prazer, pois o canoeiro, o vaqueiro, o pastor, todos tem suas canções que pulsam no ritmo de seus trabalhos. A maioria dos indianos que são hindus aceitam os princípios e disciplina originária dos Vedas; que têm uma afinidade muito forte com música, e por isto foi estabelecida uma relação também muito forte entre religião e música.

Milhares de anos atrás, através de profunda meditação e vivência com a natureza, percebeu-se que certo conjunto de notas deveriam ser invocadas a certas horas, e em certas estações. Esta correspondência é feita entre rágas[2] e os períodos do dia (manhã, tarde e noite), e as estações do ano. Isto impulsiona a criatividade dos músicos na direção correta, pois lhes dá a consciência criativa necessária para todas as improvisações; que são requisições fundamentais para a música indiana. Foi percebido também que a vibração de certas notas ou conjunto de notas e melodias provoca alterações nos chacras[3], catalisando ou diminuindo suas funções. Estas alterações psicofísicas e energéticas modificam o estado de consciência dos músicos e dos ouvintes. Isso mostra que já na Antiguidade os sábios, conhecendo o poder do som, usavam a música para restabelecer o equilíbrio energético.

A música não só afeta os seres vivos, mas altera o ambiente, o local, inclusive o clima. Existem rágas que tanto podem provocar o fogo, aparentemente trazendo-o do nada, como a chuva. E também mudar o comportamento de uma multidão violenta, para calma ou vice-versa. Na Índia, a música clássica também é utilizada para maiores obtenções na produção do leite de vaca, e para maiores colheitas, dando uma safra rica. Assim a música tem o poder de influenciar os três reinos e os cinco elementos.

 

A música é considerada prece ou oração e alimento para alma. É um meio de atingir a consciência suprema, mas nada impede sua utilização para satisfazer os instintos a nível físico e serve para lazer e divertimento. Ao contrário do ocidente, a música popular é apreciada ouvindo, não em bailes e clubes de dança. A dança coletiva é reservada para festas religiosas e acontece nas ruas e praças nos ritmos de música folclórica. Nas apresentações de música clássica a sincronização entre músico e público provoca tal concentração que todos perdem até a noção de tempo.

Conforme a definição tradicional, a música engloba o quadro vocal, instrumental e a expressão corporal, que pode ser traduzida como dança e teatro. A dança clássica e popular (folclórica) tem seu próprio espaço na cultura indiana. Geralmente estas peças estão baseadas na mitologia.

A música indiana está dividida nas seguintes modalidades: Clássica, Semiclássica, Devocional, Folclórica e Popular. A Música Tradicional Clássica Indiana possui um amplo espaço no cotidiano e até hoje segue as tradições filosóficas milenares: dar a cada músico a liberdade de improvisações em cima da disciplina rígida dos rágas.

A indústria cinematográfica indiana, que anualmente produz aproximadamente 800 filmes, também tem grande participação em promover a música. Geralmente todos os filmes têm em média sete canções, baseados na música semiclássica e popular.

CHINA – após o estabelecimento da civilização chinesa no Huang-He, a música começou a ter papel importante. Os músicos tinham um papel social respeitado e os instrumentos musicais tiveram grande desenvolvimento. Vários instrumentos de cordas (liras e cítaras) bem como o sheng (órgão de boca com palhetas livres) já existiam no 3º milénio a.C. Os chineses teriam sido os iniciadores da notação musical com letras e os 1ºs a filiar a escala na relação da quinta 5ª, 3,5 tons (2.637 a.C.).

O sistema de escala chinês (sistema Lyu), baseado em tubos diapasões que fixam as relações de intervalos foi criado no reinado de Huang-Ti (2698 a.C. a 2598 a.C). Este sistema continua em uso até hoje com pouquíssimas alterações. Não se sabe se houve um sistema de notação, pois um decreto imperial em 212 a.C. ordenou a queima de todos os livros. Apesar disso, a música sobreviveu através de ensinamentos tradicionais e já por volta do ano 2.255 a.C. o domínio sobre a expressão musical atingia tal perfeição entre eles, que sua influência se estendia por todo o Oriente, moldando a música do Japão, Birmânia, Tailândia e Java..

Na China, o peculiar era a própria música, devido à sua monumentalidade. Os chineses utilizavam nada menos que 84 escalas (o sistema tradicional da música ocidental dispunha de apenas 24). A variedade da sua instrumentação era imensa.

Os chineses também já estavam passos à frente na percepção do que a música era capaz de suscitar em um grande número de pessoas. Por isto, usavam melodias em eventos civis e religiosos e, com isto, empreendiam uma marca à personalidade dos grandes imperadores. Cada grande imperador tinha sua música própria. Quase todos eles levaram a sério a música folclórica, enviando oficiais para recoletar as canções e inspecionar a vontade popular.

Acreditavam no poder mágico da música, como um espelho fiel da ordem universal. A “cítara” era o instrumento mais utilizado pelos músicos, este era formado por um conjunto de flautas e percussão. Eles eram avançados em relação aos instrumentos musicais – já possuíam inclusive o conceito de orquestra.

Muito numerosos eram os instrumentos dos antigos chineses, sendo os mais característicos o Kim (lira de cordas de seda), o king (instrumento de percussão constante de pedras suspensas por um fio e afinadas) e o txeng (espécie de pequeno órgão portátil, feito de tubos de bambu, dispostos verticalmente sobre uma cabaça esvaziada, na qual se soprava por um chifre).

A música conhecida mais antiga é Youlan ou a Orquídea Solitária, atribuída a Confúcio. O primeiro grande florescimiento adequadamente documentado da música chinesa foi para o guqin durante a Dinastía Tang (antes da Dinastía Han).

Na antiga China a posição dos músicos era muito mais baixa que a dos pintores, mesmo a música sendo vista como central para a harmonia e longevidade do Estado. Um dos clássicos confucionistas, Shi Jing, continha várias canções folclóricas que datavam desde 800 a.C. até 300 a.C.

A etnia Han forma em torno de 92% da população da China. A música étnica Han consiste de música heterofônica, na qual os músicos tocam versões de uma mesma linha melódica. A música folclórica Han se consolidou nas bodas e funerais. Usualmente inclui uma forma de oboé chamado suona e instrumentos de percussão chamados chuigushou. A percussão acompanha a maior parte da música, dança e ópera. A ópera chinesa tem sempre foi enormemente popular, em especial a de Pekín.

Os chineses de hoje conservam muitas de suas antiquíssimas tradições. A música tradicional é tocada por instrumentistas solistas ou em pequenos conjuntos de instrumentos de cordas, flautas, gongos e tambores. As flautas chinesas de bambu e os guqin são os instrumentos chineses mais antigos que se conhecem. Os instrumentos se dividem tradicionalmente em categorias baseadas no material que os compõem: pele, bambu, madeira, seda, terra/argila, metal e pedra. As orquestras chinesas tradicionalmente são conformadas por instrumentos de corda, ventos de madeira e instrumentos de percussão.

JAPÃO – cantavam cânticos à deusa do sol quando ela “amuava” e se escondia na sua gruta. Os japoneses ainda entoam cantos antigos quando há um eclipse solar.

AMÉRICA PRÉ-COLOMBIANA – sua música possui acentuado parentesco com a chinesa e a japonesa em suas formas e escalas, o que se explica pelas migrações de tribos asiáticas e esquimós através do estreito de Bering, em tempos remotos.

HEBREUSgraças à Torá e à extensa coletânea de textos religiosos legada pelos hebreus e judeus, é possível reconstruir com relativa precisão a história da música desse povo. Embora haja referências à música entre os descendentes de Adão, é provável que a música do povo hebreu só tenha conhecido seu desenvolvimento pleno e independente após o reinado de Davi (1.000 a 962 a.C.). Antes disso, o povo hebreu era composto de tribos nômades e provavelmente sua música sofreu influências de todos os povos com que conviveu, como os caldeus, babilônios e egípcios. Somente após a fixação das 12 tribos em Canaã (1250 a.C.) é que a música hebraica pode conhecer um desenvolvimento próprio. Infelizmente não há registros que tratem dos sistemas teóricos, escalas, estilos ou documentos sobre organologia.

O papel social da música, no entanto é bem conhecido e os textos do Antigo Testamento estão repletos de relatos sobre instrumentos e sua utilização religiosa ou em festas. Entre os instrumentos mais utilizados estão vários tipos de sopro (trombetas e trompas, como o shofar, flautas, oboés), percussão (tambores, sistros e crótalos) e cordas (como liras, cítaras e harpas). A música tinha papel importante nas festividades e nas atividades do Templo de Jerusalem.

O ocidente europeu possui uma tradição pré-histórica própria. É bem conhecido o papel preponderante assumido pelos druidas, sacerdotes, bardos e poetas, na organização das sociedades celtas pré-romanas.

GRÉCIA – na Antiguidade, a música parece presente entre todas as civilizações, quase sempre com caráter religioso. Predominava o recital de palavras – instrumentos musicais não eram muitos e nem muito utilizados, pois a prioridade da música era comunicar. Apolo é um adorador da música, é diretor do coro das musas, mas ele só virou deus da música ao receber uma lira do deus Hermes, que foi feita com um casco de tartaruga e com tripas do gado que Hermes havia roubado de Apolo, o que criou bastante discussão entre os dois e Maia (mãe de Hermes), mas ao ouvir Hermes tocar a lira, Apolo ficou tão admirado que a aceitou com muito gosto. Apolo também é considerado deus das artes, beleza, equilíbrio, harmonia e poesia[4]. O termo ‘lírico’ é usado também na poesia. Depois, a lira deu lugar à cítara e ao aulos (um instrumento de sopro, ancestral do oboé), de sonoridade sensual, muito usada nas festas dedicadas ao Deus Dionísio, mais tarde chamado de Baco, pelos romanos. No culto a Apolo a lira era o instrumento característico, enquanto no de Dionísio era o aulo. Foi também na Grécia Antiga que surgiu o órgão. A melodia ainda era bastante simples, pois não conheciam a harmonia (combinação simultânea de sons). Anfião recebeu uma lira de Apolo e Orfeu, filho de Apolo, foi um dos principais poetas e músicos da época heróica, ao lado de Homero e Hesíodo.

A própria palavra música é de origem grega, “musiké”, e significava “a arte das musas”, abrangendo também a poesia e a dança. As três artes apresentavam-se indissoluvelmente ligadas nos tempos antigos, tendo sido apreciadas por ricos e pobres, indistintamente, em todas as civilizações, que inventaram os antepassados de nossos instrumentos musicais. Os gregos gostavam muito de música, tanto que chegaram a preparar belos festivais por ocasião das grandes cerimônias religiosas e introduziram o canto coral nos espetáculos teatrais. Infelizmente, à exceção dos gregos, nenhum dos povos citados costumava transcrever sua música, por isso temos hoje uma ideia muito vaga a respeito de sua forma de composição.

Encontramos a gênese da arte grega na civilização cretense, cujos vestígios se revelaram em ruínas de cidades como Tirinto, Micenas e Cnossos. Ela é a glorificação da natureza e da vida, expressando um anseio constante pela perfeição, ritmos e harmonia, o apreço pelos valores espirituais e o culto da beleza ideal.

Pitágoras (580 a.C.-495 a.C.) acreditava que a música e a matemática eram a chave para os segredos do mundo, que o universo cantava, justificando a importância da música na dança, na tragédia e nos cultos gregos. Ele estabeleceu proporções numéricas para cada intervalo musical. Dentre as posturas mais interessantes, destacam-se:

- a de Pratinas (viveu em torno de 500 a.C.), rígida e conservadora, condenava o instrumentalismo;

- a de Pídaro (518 a.C. a 438 a.C.), mais positiva, expressa uma sincera crença no poder da influência musical no decorrer do processo educativo;

- a de Platão, representante máximo da filosofia musical grega, apoiava-se na afirmação da essência psicológica da música. Segundo esse filósofo, a música poderia exercer poder maléfico ou benéfico, por imitar a harmonia das esferas celestes, da alma e das ações. Daí, a necessidade de se colocar a música sob a administração e a vigilância do Estado, sempre a serviço da edificação espiritual humana, voltada para o bem da polis, almejada como cidade justa; e

- a de Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.), que destaca o papel da poesia, da música e do teatro na purgação das paixões (catarse). Alarmado com a proliferação da arte musical, ele se manifestou contra o excesso de treino profissional na educação musical da pessoa comum.

Aproximadamente entre 450 e 325 a.C. deu-se uma reação contra o excesso de complexidade técnica, e no início da era cristã a teoria musical grega, e provavelmente também a prática, estava muito simplificada. A maior parte dos exemplos de música grega que chegaram até nós provém de períodos relativamente tardios. Os mais importantes entre eles são: fragmentos de um coro do Orestes de Eurípides (480 a.C.-406 a.C.), de um papiro datado de cerca do ano 200 a.C., sendo a música, possivelmente, do próprio Eurípides; um fragmento da Ifigênia em Áulide de Eurípides; dois hinos délficos a Apolo, praticamente completos, datando o 2º de 128-127 a.C.; um escólio ou canção da bebida, que serve de epitáfio a uma sepultura, também do século I, ou um pouco posterior; e Hino a Mémesis, Hino ao Sol e Hino à Musa Calíope de Mesomedes de Creta, do século II.

A música grega assemelha-se à da igreja primitiva em muitos aspectos fundamentais. Era, em 1º lugar, monofônica, ou seja, uma melodia sem harmonia ou contraponto. Muitas vezes, porém, vários instrumentos embelezavam a melodia em simultâneo com a sua interpretação por um conjunto de cantores, assim criando uma heterofonia. Mas nem a heterofonia nem o inevitável canto em oitavas, quando homens e rapazes cantam em conjunto, constituem uma verdadeira polifonia. A música grega, além disso, era quase inteiramente improvisada. Mais ainda, a sua melodia e o seu ritmo ligavam-se intimamente à melodia e ao ritmo da poesia, e a música dos cultos religiosos, do teatro e dos grandes concursos públicos era interpretada por cantores que acompanhavam a melodia com movimentos de dançar predeterminados.

A música grega se baseava em oito escalas diatônicas descendentes – os modos gregos -, cada um com um significado ético e psicológico. A teoria musical grega se fundamentava na ética e na matemática. Foram os filósofos gregos que criaram a teoria mais elaborada para a linguagem musical na Antiguidade. A representação musical era feita com letras do alfabeto, formando “tetracordes” (quatro sons). Da união de dois tetracordes formaram-se escalas de oito notas, cuja riqueza sonora já permitia traçar linhas melódicas. Estas escalas mais amplas – os modos – tornaram o sistema musical grego conhecido posteriormente como modal. O canto prendia-se a uma melodia simples, a Monodia, pois os músicos da Grécia ignoravam as combinações simultâneas de sons (harmonias). Nem por isso deixavam de caracterizar com seus modos um sentido moral – o Ethos -, tornando os ritmos sensuais, religiosos, guerreiros e assim por diante. Uma vez que os ritos religiosos quase não mudavam, conservando a tradição, com o tempo criaram-se melodias-padrão, muito fáceis e conhecidas de todos, os Nomoi.

O caráter científico da música só começa a ser verdadeiramente estudado pelos antigos músicos gregos, que a submeteram às leis científicas, certamente influenciados pela sua mentalidade racional. Até então, nenhum povo tinha feito tal estudo. Os gregos atribuíam à música uma elevada função moral, como modeladora do caráter humano, ou seja, a boa música incitava às boas acções, enquanto que a música má diminuia a força de vontade ou eliminava-a. O mais curioso é que a doutrina ética da música, que defendia que esta desempenhava um grande papel na educação, manteve-se viva ao longo dos tempos, o que já não aconteceu com a sonoridade clássica, que se perdeu logo na transição cultural para o império romano.

A Grécia aparece muito ligada à poesia e à escrita que, a par com a música, participavam como forma de expressão nos teatros. A civilização grega teve um papel fundamental para a evolução da história da música ocidental, sendo de destacar o seu contributo essencialmente em relação ao ritmo e à notação musical. Sabe-se que em Atenas havia anualmente concursos de canto e que as peças de teatro eram acompanhadas por música. Os gregos tinham noção do culto da música como arte e como ciência, pois a música era tão valorizada, que fazia parte das quatro disciplinas essenciais para a educação dos jovens.

O ritmo era o denominador comum das três artes, fundindo-as numa só. Dessa forma, a Lírica era um gênero poético, mas seu traço principal era a melodia. Como os demais povos antigos, os gregos atribuíam aos deuses sua música, definindo-a como uma criação integral do espírito, um meio de alcançar a perfeição. Neste obscuro mundo pré-histórico a música tinha poderes mágicos.

À medida que a música se tornava independente, multiplicavam-se os virtuosos e a música tornava-se cada vez mais complexa em todos os aspectos.

ROMAno período helenístico, a música grega desviara-se para a busca e o culto da virtuosidade, o que representou uma decadência do espírito nacional que a orientara na época áurea. Eram interessantes os diversos instrumentos de sopro utilizados nos exércitos, com variadas finalidades. A mais curiosa figura conhecida na arte musical romana, antes da era cristã, foi o Imperador Nero, compositor e poeta, que se acompanhava à lira, tendo até instituído a ”claque”, cujos aplausos interesseiros estimulavam sua inspiração e acalentavam sua vaidade. Toda música do império romano foi influenciada pela dos gregos. Em Roma, as lutas dos gladiadores eram acompanhadas por trombetas. A música estava sempre presente nas casas dos mais ricos. Nas ruas davam-se pequenos espetáculos de malabarismo e de acrobacia que eram sempre acompanhados por flautas e pandeiretas. Destaca-se nesta cultura o órgão hidráulico[5]. No Império Romano, na escrita musical utilizavam as 1ªs 15 letras do seu alfabeto.

A cultura dos romanos era muito inferior ao seu poderio, de maneira que a conquista da Grécia lhes veio bem a calhar: a avançada civilização grega oferecia-lhes tudo o que não tinham em ciência, arte e refinamento. Recolhendo os melhores elementos do patrimônio grego, trataram de copiá-los com capricho e depois os apresentaram como produto próprio entre os demais povos que tinham sob domínio. Mas não foram muito além desse trabalho de divulgação. Particularmente no caso da música, Roma quase nada acrescentou àquilo que se havia desenvolvido na Grécia.

O comportamento cultural que os romanos assumiam para com a música era bastante diferente dos gregos, rompendo por completo a ligação entre ela e a ética, para dar lugar à sensualidade. De fato, a música era um complemento dos divertimentos particulares e públicos, nos banquetes e no circo. Ela era uma forma de atrair e concentrar a vasta população romana nos recintos públicos, assumindo assim um caráter de instrução geral.

Embora não haja vestígios autênticos da música da antiga Roma, sabemos, por relatos verbais, baixos-relevos, mosaicos, afrescos e esculturas, que ela desempenhava um papel importante na vida militar, no teatro, na religião e nos rituais.


[1] Quatro textos, escritos em sânscrito por volta de 1500 a.C., que formam a base do extenso sistema de escrituras sagradas do hinduísmo, que representam a mais antiga literatura de qualquer língua indo-europeia.

[2] Modos usados na música clássica indiana. Embora as notas sejam um elemento importante do rága, este não se resume a uma escala. Vários rágas podem compartilhar a mesma escala. Um rága pode ser visto como um conjunto de normas de como construir uma melodia. Há normas para subir e descer a escala, quais notas devem estar mais presentes e quais serão mais ornamentais, quais podem ser usadas na poesia gamaka, frases a serem usadas e outras a serem evitadas. É um sistema que pode ser usado para compor ou improvisar, permitindo variações infinitas dentro das notas estabelecidas. A escala usada em um rága pode ter de cinco a sete notas, chamadas na música clássica indiana de swaras.

[3] Centros de energia.

[4] Além de deus dos adivinhos, da cura, divina distância, doenças, juventude, luz, medicina, morte súbita, pastoreio, pragas, profecia, proteção, razão, Sol, tiro com arco e verdade.

[5] Inventado por Ctesíbio, no século II a.C., na Alexandria.

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A Fênix – Farid ud-Din Attar http://chieffi.com.br/a-fenix-farid-ud-din-attar/ http://chieffi.com.br/a-fenix-farid-ud-din-attar/#comments Mon, 22 Apr 2013 21:15:08 +0000 Ana Chieffi http://chieffi.com.br/?p=410 Read More »]]> Na Índia vive um pássaro que é único: a encantadora fênix tem um bico extraordinariamente longo e muito duro, perfurado com uma centena de orifícios, como uma flauta. Não tem fêmea, vive isolada e seu reinado é absoluto.

Cada abertura em seu bico produz um som diferente, e cada um desses sons revela um segredo particular, sutil e profundo. Quando ela faz ouvir essas notas plangentes, os pássaros e os peixes se agitam, as bestas mais ferozes entram em êxtase; depois todos silenciam. Foi desse canto que um sábio aprendeu a ciência da música.

A fênix vive cerca de mil anos e conhece de antemão a hora de sua morte. Quando ela sente se aproximar o momento de retirar o seu coração do mundo, e todos os indícios lhe confirmam que deve partir, constrói uma pira reunindo ao redor de si lenha e folhas de palmeira. Em meio a essas folhas entoa tristes melodias, e cada nota lamentosa que emite é uma evidência de sua alma imaculada. Enquanto canta, a amarga dor da morte penetra seu íntimo e ela treme como uma folha. Todos os pássaros e animais são atraídos por seu canto, que soa agora como as trombetas do Último Dia; todos se aproximam para assistir o espetáculo de sua morte, e, por seu exemplo, cada um deles determina-se a deixar o mundo para trás e resigna-se a morrer. De fato, nesse dia um grande número de animais morre com o coração ensanguentado diante da fênix, por causa da tristeza de que a vêem presa. É um dia extraordinário: alguns soluçam em simpatia, outros perdem os sentidos, outros ainda morrem ao ouvir seu lamento apaixonado. Quando lhe resta apenas um sopro de vida, a fênix bate suas asas e agita suas plumas, e deste movimento produz-se um fogo que transforma seu estado. Este fogo se espalha rapidamente para folhagens e madeira, que ardem agradavelmente. Breve, madeira e pássaro tornam-se brasas vivas, e então cinzas. Porém, quando a pira foi consumida e a última centelha se extingue, uma pequena fênix desperta do leito de cinzas.

Aconteceu alguma vez a alguém deste mundo renascer depois da morte? Mesmo que te fosse concedida uma vida tão longa quanto a da fênix, terias de morrer quando a medida de tua vida fosse preenchida. A fênix permaneceu por mil anos completamente só, no lamento e na dor, sem companheira nem progenitora. Não contraiu laços com ninguém neste mundo, nenhuma criança alegrou sua idade e, ao final de sua vida, quando teve de deixar de existir, lançou suas cinzas ao vento, a fim de que saibas que ninguém pode escapar à morte, não importa que astúcia empregue. Em todo o mundo não há ninguém que não morra. Sabe, pelo milagre da fênix, que ninguém tem abrigo contra a morte. Ainda que a morte seja dura e tirânica, é preciso conviver com ela, e embora muitas provações caiam sobre nós, a morte permanece a mais dura prova que o Caminho nos exigirá”.

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Espiritualidade – Oriente http://chieffi.com.br/oriente/ http://chieffi.com.br/oriente/#comments Sun, 21 Apr 2013 22:00:31 +0000 Ana Chieffi http://chieffi.com.br/?p=691 Read More »]]> Quando ouvimos falar de Oriente, logo pensamos em Índia, China, Egito, Tibet, Japão…

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Drishtis – Pedro Kupfer                 Ética Yogi – Pedro Kupfer

 

Nomenclatura de Hatha Yoga – Pedro Kupfer              Geranda Samhita                                    

 

Gunas                                                          Kleshas                                                    

 

Kumba Mela                                           Mahabharata                                           

 

Manas                                                          Mantra OM                                             

 

 Mantra Yoga                                          Mini dicionário de sânscrito                     

 

Mudras                                                         Namaste                                                  

 

O Prana                                                          Os dias da semana - Jyotish Maharishi

 

Parampara                                                  Pranayama   

 

Puja                                                                   Puranas                                                  

 

Ramayana                                                   Samkhya                                                

 

Sânscrito                                                       Swamis                                                  

 

Upanishads                                                  Vedanta 

 

  Vedas                                                              Yoga – as sete linhas clássicas

 

Hatha Yoga Pradipika                        Nathas

 

Yoga Nidra                                                   Yoga & Ayurveda                                   

 

 

 

 

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Espiritualidade – Índia – Deuses & Santos http://chieffi.com.br/espiritualidade-indiadeuses-santos/ http://chieffi.com.br/espiritualidade-indiadeuses-santos/#comments Fri, 19 Apr 2013 23:57:18 +0000 Ana Chieffi http://chieffi.com.br/?p=5056 Read More »]]> A título de informação: os hindus são monoteístas. Os vários “deuses” foram “criados” pelos Rishis (antigos sábios da Índia) para melhor compreensão e aceitação da divindade pelos devotos. Parece que há muitos deuses porque, na verdade, foi criado um para cada questão a ser resolvida (amor, conhecimento, dinheiro, sucesso, trabalho etc.)

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Espiritualidade – mais sobre a Índia! http://chieffi.com.br/mais-sobre-a-india/ http://chieffi.com.br/mais-sobre-a-india/#comments Fri, 19 Apr 2013 23:56:35 +0000 Ana Chieffi http://chieffi.com.br/?p=5111 Read More »]]> Bhagawad Gita simplificado

B. K. S. Iyengar

Krishna & Cristo

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Mahatma Gandhi

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Gandhi e Madre Tereza de Calcutá

O Ganga

Osho

Osho – meditações

diárias

Poema de Shankarasharya

Sidarta Gautama meditou por sete dias e sete noites – Monja Cohen

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Ágamas http://chieffi.com.br/agamas/ http://chieffi.com.br/agamas/#comments Fri, 19 Apr 2013 23:55:55 +0000 Ana Chieffi http://chieffi.com.br/?p=4769 Read More »]]> São manuais práticos de adoração cialis4saleonline-rxstore aos deuses, divididos em três aspectos, que dão origem às três seitas rx express pharmacy mais importantes do hinduísmo:

Vaisnavas – seguidores de Visnu (preservação) glorificam este Deus e suas principais escolas são best over the counter viagra Pancharatra e Vaikhanasa Ágama. Usam marca grande na testa pharmacy case studies canada (Iyengar é). Hare Krisnas são dissidência de Vaisnavas.

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Shaivas – seguidores de Siva glorificam este Deus e originaram as escolas de filosofia Shauiva Siddhanta (sul) e o sistema Pratyabhijana do Sivaismo (norte). http://rxonlinepharmacy-avoided.com/ Usam linhas horizontais brancas na testa (Pattabhi Jois era); e

Shakta – ou Tantras, seguidores take cialis before intercourse de Sakti, a mãe do Universo sob os vários nomes de Devi.

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Arati http://chieffi.com.br/arati/ http://chieffi.com.br/arati/#comments Fri, 19 Apr 2013 23:50:13 +0000 Ana Chieffi http://chieffi.com.br/?p=4773 Read More »]]> Aarti, arathi também escrito Aarthi (do) é um ritual Hindu de culto religioso, uma parte do puja[1], em que a luz de pavios embebidos em ghee (manteiga purificada) ou cânfora é oferecido a uma ou mais divindades. Arati é derivado da palavra sânscrita Aratrika, que significa algo que remove Ratri, a escuridão (ou luz nas trevas).

Aarti é dito ter vindo do conceito védico de rituais de fogo, ou homa. Na cerimônia aarti tradicional, a flor representa a terra (solidez), água e acompanha lenço correspondem com o elemento água (liquidez), a lâmpada ou vela representa o componente fogo (calor), o ventilador pavão transmite a preciosa qualidade de ar (movimento), ventilador yak-cauda representa a forma sutil de éter (espaço).

O incenso representa um estado de espírito purificado, e de uma “inteligência” é oferecido através da adesão às regras do tempo e da ordem de ofertas. Assim, sua existência inteira e todas as facetas da criação material são simbolicamente oferecidas ao Senhor através da cerimônia aarti. A palavra também pode se referir à canção devocional hindu tradicional, que é cantada durante o ritual.

Aarti é geralmente realizada uma a cinco vezes por dia, e, geralmente, no final de um puja (no sul da índia) ou bhajan sessão (no norte da Índia). É realizado durante quase todas as cerimônias e ocasiões hindus. Ela envolve a circulação de um ‘prato Aarti “ou” lâmpada Aarti “em torno de uma pessoa ou divindade e é geralmente acompanhada pelo canto de canções em louvor da divindade ou pessoa (existem várias versões). Ao fazê-lo, a placa ou a lâmpada deve adquirir o poder da divindade. O monge circula a placa ou uma lâmpada para todos os presentes. Eles colocam suas mãos sobre a chama e, em seguida, levantam as palmas das mãos para a sua testa virada para baixo – a bênção de purificação, passou da imagem da divindade à chama, já foi passado para o devoto.

A placa aarti é geralmente feita de metal, prata, bronze ou cobre. Nela deve repousar uma lâmpada feita de farinha amassada, lama ou metal, cheia de óleo ou ghee. Uma ou mais mechas de algodão (sempre um número ímpar) são colocadas no óleo e, em seguida, iluminado, ou cânfora é queimada em seu lugar. A placa também pode conter flores, incenso e akshata (arroz). Em alguns templos, um prato não é utilizado e o sacerdote segura a lamparina de ghee em sua mão quando oferece às deidades.

O objetivo de realizar aarti é o acenar de pavios acesos antes das divindades em um espírito de humildade e gratidão, na qual fiéis seguidores se tornam imersos em forma divina de Deus. Simboliza os cinco elementos: Éter (Akasha), Vento (Vayu), Fogo (Agni), Água (Jal) e Terra (Pruthvi).

Comumente Aarti é realizada no Mandir[2], no entanto, os devotos também o realizam em suas casas.



[1] Puja é um ritual de oração realizado por Hindus para sediar, honrar e adorar uma ou mais divindades, ou para celebrar um acontecimento espiritual. A palavra Puja vem do sânscrito e significa reverência, honra, homenagem, adoração e culto.

 

[2] Local onde os hindus adoram a Deus na forma de várias divindades.

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