Inovação social – como pensar de maneira sistêmica para impactar positivamente a sociedade – Juliana Prosepo – designer da Design Ekhos – inovação social é a evolução da inovação; nova solução, mais eficaz, eficiente e sustentável e que cria valor para a sociedade. É preciso transformar desafios em oportunidades. Há muito mais problemas do que soluções e os problemas estão sendo escancarados. Inovação social é uma nova maneira de conectar problemas e soluções, onde todos podem ganhar. A inovação nasce de necessidades não atendidas, de propósitos bem definidos, de relação entre os atores envolvidos e de modelos de escala.

 A velha economia se baseava em escala produtiva, eficiência, disciplina controle, alinhamento; desde a Revolução Industrial. Produtos escassos valiam mais. Havia hierarquia rígida e líderes/heróis. O único objetivo era o lucro. O pensamento era autocentrado, privado.

 Quando um paradigma deixa de responder, entra-se em transição, que acabará trocando a lógica para uma melhor. A nova economia, a economia social, não se baseia mais na escassez, mas na abundância. O Instagram, por exemplo, não tinha recursos. É muito abundante, por isso vale muito e foi comprado por US$ 1 bilhão! Mesma história do Watsap, que custou US$ 19 bilhões!!. Não mais hierarquia, mas rede, colaboração e cocriação. Lucro continua sendo fundamental, mas não é o único objetivo. Pensa-se no todo, no social.

 No novo mundo há maior conexão com a humanidade. A inovação surge para responder questões complexas e repensar os objetivos da sociedade, pois as soluções devem ser boas para todos: indivíduos, grupos, organizações, sociedade, mundo!

 Há valor social quando há criação de benefícios ou redução de custos para a sociedade: do Ego para o Eco (eco vem de oicos do grego = todo); da culpa para a corresponsabilidade; de erros escondidos para o aprendizado; da obrigação para o comprometimento; de nós/eles para confiança e parceria; de reparos rápidos para soluções sustentáveis.

 É preciso dar atenção ao “invisível”! Tudo o que criamos pode ser alterado por nós. A maneira como pensávamos se reflete nas nossas organizações. O novo gera medo, que deve ser superado. Todos os atores devem ser envolvidos: quem pertence ao problema deve pertencer à solução.

 O microfinanciamento é uma das ferramentas mais poderosas que podem ser usadas para lidar com a pobreza global. Ele aumenta a autoestima e a autossuficiência das pessoas que recebem os serviços financeiros.

 - HEED Bangladesh (sigla em inglês de Desenvolvimento Sanitário, Educacional e Econômico) – tem ajudado pessoas com empréstimos desde o início dos anos 90. Lá há muitas pessoas em pobreza estável. Costureiras alugavam máquinas de costura e pagavam muito. A HEED financiou máquinas de costura e o dinheiro foi devolvido em prazo menor que o acordado. Muhammad Yunus, o criador, ganhou o Prêmio Nobel da Paz porque acredita que a pobreza não é natural, foi criada, e portanto, pode acabar. Deverá ser vista em museus no futuro.

- Banco Palmas – é uma prática de socioeconomia solidária no Conjunto Palmeira, um bairro popular, com 32 mil moradores, situado na periferia de Fortaleza – CE. A moeda social só circula no bairro e assim a riqueza ali criada permanece e é reinvestida.

- Microempréstimo KIVA – é o primeiro site de microempréstimo pessoa-a-pessoa da internet no mundo, permitindo a indivíduos emprestar diretamente a pequenos empresários específicos em vias de desenvolvimento. Não tem fins lucrativos e os empréstimos podem ser de US$ 25.

- Fair trade (comércio justo) – é um dos pilares da sustentabilidade econômica e ecológica (ou econológica, como vem sendo chamada). Trata-se de um movimento social e uma modalidade de comércio internacional que busca o estabelecimento de preços justos, bem como de padrões sociais e ambientais equilibrados nas cadeias produtivas, promovendo o encontro de produtores responsáveis com consumidores éticos. Baseia-se em preços justos para o pequeno empreendedor. Ex.: Rede Asta, que treina artesãos. É um negócio social que leva a consumidores em todo Brasil produtos de design feitos por grupos produtivos de regiões de baixa renda. Contribui para a diminuição da desigualdade social brasileira fortalecendo empreendimentos produtivos da base da pirâmide por meio do acesso a mercados, conhecimentos e criação de redes. Visa fazer do consumo uma ferramenta de inclusão social e econômica. Tudo o que faz é inclusivo para quem faz e exclusivo para quem compra.

- Consumo colaborativo – nova prática comercial que possibilita o acesso a bens e serviços sem que haja necessariamente aquisição de um produto ou troca monetária entre as partes envolvidas neste processo. Compartilhar, emprestar, alugar e trocar substituem o verbo comprar no consumo colaborativo. Ex.: bicicoteca, livros em ônibus, estacionamentos etc., além de trocas de bens e serviços.

- Toms Shoes – empresa com sede na Califórnia, que opera a subsidiária sem fins lucrativos, Amigos da Toms. A empresa foi fundada em 2006 por Blake Mycoskie, um empresário do Texas. A empresa projeta e vende sapatos com base no alpargatas, bem como óculos. Quando Toms vende uma par de sapatos, em seguida, outro par é dado a uma criança pobre, e quando vende um par de óculos, uma parte do lucro é usado para salvar ou restaurar a visão para pessoas em países em desenvolvimento.

- Programa “Keep the Change” (fique com o troco) – esse serviço arredonda para cima todas as compras que o cliente faz com o cartão de débito (R$12,67 viravam R$13 e assim por diante) e transfere o valor dessa diferença da conta do consumidor para uma conta separada, uma poupança. Nos três primeiros meses o banco dá um bônus de 100% do valor economizado pelo cliente, e, nos meses seguintes, 5%. Chegaram a uma solução, portanto, simples e rápida de ajudar as pessoas a economizarem seu dinheiro (algo que desejavam) no longo prazo, fazendo uso de um hábito que era comum pela maioria (arredondar os valores das compras).

- Modelo de colaboração – People’s Supermarket (Inglaterra) – neste modelo as pessoas tornam-se sócias do negócio e oferecem horas de trabalho voluntário, ganhando com isso preços menores e descontos nas compras. A missão do supermercado é criar uma empresa comercialmente sustentável e social, que atinge seu crescimento e metas, enquanto opera com base no desenvolvimento comunitário. A intenção é oferecer uma rede alternativa de compra de alimentos, através da ligação da comunidade urbana com a comunidade agrícola local.



[1] Ciclo estadual de palestras: inovação do conhecimento no setor público.