Oportunidades para gestão inovadora de territórios – Lala Deheinzelin[1]consultora em Economia Criativa – atriz, apresentadora e produtora cultural (lala@enthusiasmo.com.br)

As iniciativas premiadas do 3º setor sempre são multidimensionais. Economia Criativa existe no Brasil desde 2004/05. Ela é o fluxo de recursos ambientais, culturais, financeiros e sociais (4D). A prosperidade 4D credita (torna visível) e circula.

 Ambiental = natural + tecnológico (as tecnologias precisam ser interconectadas e compartilhadas);

Financeiro = monetário + solidário;

Social é também político e

Cultural é também simbólico, pois abrange mentalidade e hábitos; é a nossa maneira de estar no mundo.

 A economia criativa abrange todos os negócios e empreendimentos gerados a partir de intangíveis. A economia criativa e colaborativa devem ser prioridade e motor do desenvolvimento. Indústria Criativa = artes + indústria de conteúdo + serviços criativos. O maior ativo é o compartilhamento: livre acesso ao conhecimento. A economia do compartilhar vem crescendo

 Infelizmente as escolas ainda ensinam competição, pois ainda muitos não aprenderam que quanto mais se colabora, mais se é competitivo.

 Os desafios do mundo atual são exponenciais, mas as soluções são lineares. Ex.: produto e renda são lineares e o mercado financeiro é exponencial. Não “cruzam”, só com débito crescente. Produtos são consumidos e acabam; já o conhecimento, quanto mais se usa, mais se tem.

 O que é linear tem foco no que é tangível, economia tradicional e seu modelo organizacional é centralizado. É burocrático e controlador, bom para processos especializados, reprodução unidimensional. Escasso.

O que é exponencial tem foco no que é intangível, economia criativa e seu modelo organizacional é distributivo. Tem autogestão e trabalha na base da confiança. Bom para processos sistêmicos, inovação, criação, multidimensional. Abundante.

 As novas tecnologias tem natureza exponencial infinita.

 Os intangíveis são recursos que se renovam e multiplicam. A universidade é um tesouro intangível não aproveitado. Se fossem considerados apenas os TCCs, muito já seriam aproveitado. É preciso conhecer e comunicar os intangíveis.

 A visão territorial é mais eficaz que a setorial, particularmente no que toca às políticas públicas. O PIB não mede o intangível. Nossas métricas são lineares. Precisamos de outras, para tornar visível o que ainda não é e podermos mensurar riquezas, empresas e nações. Devemos chegar ao FIB = Felicidade Interna Bruta (o Butão trabalha assim).

 O Movimento Internacional Crie Futuros (http://criefuturos.com) existe para gerar futuros desejáveis – ideias/semente que possam alimentar o imaginário, mobilizar para a ação, inspirar inovação e identificar oportunidades.

 Ex.: de Forças Armadas para Forças Amadas; de Setor Imobiliário para facilitador de moradias. Isso não funciona sem software (não basta o hardware).

 Tecnologia oásis: guerreiros sem armas – comunidades criam e conscientizam sonhos.

 Urbanismo colaborativo: o Estado deve ser articulador e facilitador; deve articular, inclusive, os vários setores (pra isso existe – ou deve existir – o planejamento). É preciso: conhecimento + tempo + tecnologia + causa. O público deve ser realmente público, com transparência e disponibilização. Para ter processos transparentes e baseados em confiança, é preciso mudar normas e procedimentos.

 Os processos devem ser distribuídos em rede. A sociedade em rede colabora e celebra. As pessoas precisam reconhecer o valor de seu tempo e como/onde investi-lo. Precisamos de processos e não de mais infraestrutura. Coletivos e colaborativos fazem rápido e barato. Nos processos colaborativos o investimento é de 15 a 30% em moeda e 85% a 70% em colaboração.

 Medellin passou de cidade mais violenta e cartel da droga à cidade mais inovadora do mundo. Como? Aplica 40% em educação e cultura. Equador é o 1º país colaborativo. Na mesma linha está o Uruguai e poucos outros. Na Índia descobriram que crianças analfabetas, quando em contato com tecnologia, aprendiam 30% de imediato. Em pouco tempo chegaram a 50%, mesmo índice de quem frequenta salas de aula.

 Estamos na passagem do Consumo ao Cuidado. Se a cada mês cada futurista conquistar mais um, todos o serão em menos de três anos!

Sampa Criativa – Ricardo Mucci – jornalista

 Sampa Criativa é uma iniciativa da FeComércio  SENAC e SESC. É um canal colaborativo de expressão e articulação, que propõe um espaço ao cidadão paulistano para pensar sobre a cidade e refletir sobre como melhorá-la. Em sete meses o Sampa Criativa consolidou-se junto ao público e à mídia como espaço colaborativo para inspirar os paulistanos a transformar a cidade. Tem cinco eixos temáticos: governar junto, negócios, inovações, sociais, nas ruas e diálogos. A proposta é coletar ideias para melhorar a cidade. Há dois tipos de conteúdo no site: geral para o público e jornalístico, com experiências de outros locais.

 Muitas das transformações recentes no mundo nasceram nas redes sociais. No site (http://www.sampacriativa.com.br) há relato de 13 experiências transformadoras. O debate oficial da cidade, o Plano Diretor, é muito complicado, mas houve avanço desta vez.



[1] Ciclo estadual de palestras: inovação do conhecimento no setor público.