Em 2013 fui à exposição Gênesis de Sebastião Salgado e fiquei totalmente encantada, particularmente pelas fotos de Galápagos. Queria ir para lá logo nas férias de verão, mas fui informada que, para observação de fauna, a melhor época seria setembro a novembro. Assim, em fevereiro fiz o “sacrifício” de ir ao deslumbrante Fernando de Noronha e depois dei-me de presente de aniversário a viagem a Ecuador/Galápagos, em setembro.

Galápago significa, em espanhol, galope, isto é, a montaria, a sela, que lembra o casco das tartarugas gigantes!

Galápagos é uma das 24 províncias do Ecuador, com mais de 18 mil habitantes e área de 8.000 km2. Sua capital é Puerto Baquerizo Moreno, em San Cristóbal. O arquipélago é resultado de erupções vulcânicas e se localiza a quase mil km do continente. São 13 ilhas grandes, seis pequenas e 107 rochas e ilhotas. Todo o arquipélago tem uma extensão total de 8.010 km². Apenas cinco ilhas são habitadas: Baltra, militar, onde está um aeroporto; Floreana, com pouco mais de 100 habitantes; Isabela (a maior, com uns 8 mil habitantes), San Cristóbal (com uns 4 mil moradores), Santa Cruz (+/- 12 mil habitantes), onde está localizada a Estação Científica Charles Darwin (1959) e a capital de Santa Cruz, Puerto Ayora e Seymour Sur”, em referência ao nobre inglês Lord Hugh Seymour. Chega-se de Guaiakyl à ilha Baltra. Vai-se direto para a Ilha Santa Cruz, onde ficam os hotéis e a maior parte do comércio de toda Galápagos.

 O guia foi me buscar no aeroporto e fomos direto para a Estação Científica Charles Darwin, onde há criação de tartarugas em cativeiro. Elas vivem em turmas, por idade: 1 a 2 anos… 4 a 5 anos. Aos poucos é “dificultado” o acesso à alimentação, de forma que elas vão aprendendo a buscar alimento. Isso porque aos cinco anos de idade elas são levadas às ilhas onde estão as tartarugas de sua espécie e terão que se virar pra comer. Todas as criadas em cativeiro recebem um número e tem acompanhamento durante a vida e assim vai-se garantindo sua permanência no planeta.

 As pequenas são muito graciosas, mas impressionantes mesmo são as adultas… gigantes! Logo na estrada (já no parque) vimos algumas imensas. Soltas, felizes. Depois andamos em um túnel de lava que também é resultado de erupção vulcânica e tem 400m! Há vários nas ilhas. No parque há também uma grande área com grama, onde as tartarugas passeiam e comem à vontade, e os Piçons de Darwin ajudam-nas limpando seus cascos. Há uma linda interação entre eles. Os piçons são passarinhos bem pequenos, pretinhos, muito graciosos e que existem aos milhares (milhões?) pelo arquipélago. Obs.: no Ecuador se encontram 17% das 1.600 espécies de aves do mundo!

 Passamos por um local onde havia algumas tartarugas mais raras, beeem antigas e até uma que foi alvo para alguém que praticava tiro… E enfim chegamos viveu o solitário Jorge[1]! Há placas em sua homenagem. Seu corpo está nos EUA sendo embalsamado e ficará no Museu de Quito, que tem mais visitantes do que Galápagos. No arquipélago haverá uma estátua em tamanho natural em sua homenagem.

 Cães, gatos e outros mamíferos foram introduzidos pelos humanos no arquipélago – não são naturais de lá. Pode-se ter animais de estimação, mas eles devem ficar nas casas dos donos ou passear com guias. Acontece que eles atacam os animais nativos, como as tartarugas. Se encontrados soltos, numa 1ª vez são devolvidos aos donos. Porém, se o episódio se repetir, são sacrificados. Não gostei nada disso, pois não acredito que se preserva uma vida sacrificando outra. Por isso mesmo evito ao máximo me alimentar de animais e subprodutos de origem animal. Creio que os ecuatorianos facilmente poderiam encontrar uma solução que poupasse a vida de inocentes criaturas e punisse seus donos no bolso, por exemplo, que costuma ser uma área bastante sensível.

 O Hotel Flamingo, onde fiquei, é simples e confortável, bem próximo à avenida principal, Charles Darwin, e a cidade é super agradável. Com violência zero (diferente de Quito e outras), passeia-se totalmente à vontade, de dia ou de noite. Pelas ruas, pela beira-mar, pelo comércio numeroso e variado, pelas lan houses, pelos bares e restaurantes. Amei!

 No dia seguinte fiz passeio de barco às Islas Plazas. Na “viagem” de 1h30 no barco, observamos golfinhos mas, como o mar é muito profundo, a água fica mais escura e se confunde um pouco com esses animais tão especiais. Já na ilha fomos recebidos por graciosos lobos marinos (leões marinhos). Nessa ilha há muitos cactos, que alimentam as iguanas terrestres, bastante numerosas. Vimos inúmeros, variados e lindos pássaros! Na volta almoçamos no barco e paramos para mergulho de superfície num local de águas bem claras, onde vimos um tubarão e muitos peixes, dos mais variados tamanhos.

No 2º passeio de barco fomos à Isla Seymor, chegando lá em pouco mais de 40 minutos. No caminho vimos muitos pássaros nadadores e uma família de baleias! A emoção foi tanta, que suas fotos nem saíram boas, mas a lembrança ficará para sempre, com certeza. Lindas!!! Nessa ilha também fomos recebidos pelos lobos marinos, que me conquistaram para sempre! Ali a vegetação é avermelhada e as iguanas também se alimentam dela. Há muitos caranguejos. Pudemos observar os maravilhosos piqueros de patas azules (há também de patas rojas, mas não nessa ilha) e flamingos. Estes, ficam numa área reservada, numa lagoa só para eles, e não se pode chegar muito perto. Por toda a ilha (e nas outra também) há placas “Stop”. Tivemos sorte e vimos um lindo pelicano voando e pousando: encantador. Nem todas as ilhas tem praias – são rochas no mar. A ilha Seymor tem, e pudemos curtir um pouco. Alguns se aventuraram em outro mergulho. Eu preferi caminhar sozinha e assim pude ter um encontro com uma iguana marinha. Ela é preta, com menos atrativos do que as terrestres, mas valeu encontrá-la. São pouco vistas pois, por serem marinhas, alimentam-se das algas e assim permanecem bastante tempo dentro do mar.

 No último dia (buááá…) antes de ir para o aeroporto, passamos por uma fazenda de café, que tem também cana de açúcar. É bem legal ver a produção de artesanal de café, mas o que gostei mesmo foi de observar uma coruja em seu ninho.

 Fotos:      Chegada/Tartarugas      Isla Santa Cruz     Islas Plazas     Isla Seymor


[1] As tartarugas gigantes de Galápagos estão entre as espécies observadas pelo cientista britânico Charles Darwin e que contribuíram para que ele formulasse, no século XIX, a teoria da evolução. A tartaruga-das-galápagos-de-pinta (Chelonoidis nigra abingdoni) foi uma subespécie de tartaruga terrestre endêmica da ilha de Pinta, nas ilhas Galápagos. O último indivíduo conhecido foi um macho denominado “Lonesome George” (Jorge Solitário) que morreu em 24.06.2012. Em seus últimos anos, foi considerado a criatura mais rara do mundo, e é tido como um forte símbolo para os esforços de conservação ambiental nas Galápagos e internacionalmente.Recebeu seu nome em homenagem a um personagem interpretado pelo ator americano George Gobel. George foi visto pela 1ª vez na ilha de Pinta em 01.12.1971 pelo biólogo americano Joseph Vagvolgyi. Remanejado, por sua própria segurança, para a Estação Científica Charles Darwin, George compartilhou o mesmo ambiente com duas fêmeas de subespécies diferentes, porém embora o acasalamento tenha ocorrido e ovos tenham sido produzidos, nenhum foi chocado com sucesso. Posteriormente foram colocadas em seu curral fêmeas da espécie da ilha Española, geneticamente mais próximas, e ainda estão na espera para saber se porão ovos e se serão chocados com sucesso. As “namoradas” de George foram selecionadas por meio de testes genéticos. Embora de subespécies diferentes, as duas fêmeas são compatíveis com ele.