Na UNIFESP, ago./2007

Ken Wilber, o Einstein da consciência, nasceu em 1949, nos EUA. Autodefinido como psicólogo transpessoal, filósofo, cientista e místico. Contador de histórias cósmicas; integrador do conhecimento. Tem mais de 20 livros traduzidos para mais de 30 idiomas. Diz que todos estamos certos, mas parcialmente. 1º livro: Espectro da Consciência. Em 1983 desligou-se do movimento transpessoal, que começava a se fragmentar, pois sua ideia era de integração e, a partir daí, chamou-se de integral.

 Escola pitagórica (século IV aC) –– Kosmos: Fisiosfera = cosmos (matéria) + Biosfera (vida) + Noosfera (mente) +.Teosfera (espiritualidade)

Física e espiritualidade – essa associação não é nova, embora nos anos 70, com Capra (O Tao da Física) – tenha-se passado a falar mais de ciência e espiritualidade.

- Era pré-moderna – Demócrito (460 a370 aC) – o universo é formado de átomos (indivisíveis) e de vazio.

Platão (428 a347 aC) – o universo tem um mundo das idéias e outro das formas. Há formas transcendentais além da física, a metafísica. Para ele, a obra de Demócrito deveria ser queimada.

 - Era moderna – Newton (1643 a 1727) – mecanicismo, determinismo. Para o materialismo não há espaço para o livre arbítrio, para a espiritualidade e para Deus. Já os idealistas questionam quem criou o universo e “deu corda” nele?

- Era pós moderna – Einstein (1879 a 1955) – teoria da relatividade

Cardeal O’Connell: hedionda aparição do ateísmo

Rabino Goldstein: fórmula científica do monoteísmo

 Domínios do Cosmos

  1. Cotidiano – física clássica, mecanicista ou newtoniana. Obs.: teoria não é realidade; não funcionou para estudar a luz nem emissão de calor.
  2. Muito grande e muito rápido – física relativística ou einsteiniana.
  3. Muito pequeno e muito rápido – física quântica ou moderna, fenômenos subatômicos.

 Teorias da física quântica 

O problema da medição só existe no domínio quântico.

 - Princípio da incerteza de Heisenberg – não é possível saber exatamente a velocidade E a posição de uma partícula. Esse é um problema intrínseco à natureza.

- Princípio da complementaridade de Bohr – O que é o elétron? Dualidade partícula/onda – ondícula. Pode ser ambas. Partícula e onda são conceitos macro. No nível subatômico não se conhece a realidade.

 - 1 partícula e 3 “portas”: A, B e C. Por qual porta a partícula entrará?

 A interpretação de Copenhagen

– Fenômeno quântico é aleatório (não se prevê o que vai acontecer)

Equação da onda de Schroedinger – são ondas de probabilidade; “nuvem” de probabilidades; A = 50%, B = 30%, C = 20%.

- Observação colapsa a equação da onda

Acaba a indeterminação. Partícula entrou por uma porta. B = 100%, A = C = 0%

- Nada pode ser dito sobre como era antes da observação.

Superposição quântica: a partícula “existia” potencialmente nos três estados (Gato de Schroedinger), nas três portas, mas “escolhe” uma.

- Em “Quem somos nós?” há equívoco com bola de basquete, que é macro. É uma aberração científica.

 Teorias da Variável Oculta

– Fenômeno quântico não é aleatório

Há fatores específicos “por trás” das portas. A partícula “sabe” onde entrar.

- “Deus não joga dados” Einstein

- Ordem implicada – David Bohm

 A interpretação dos muitos mundos.

- Hipótese de Everett – Wheller – Graham

Não há colapso da função de onda. Se B passa a existir neste mundo, A e C continuam.

- Teoria M

Átomos, partículas subatômicas, quarks, cordas, membranas.

Big Bang foi “choque” entre membranas de universos paralelos

M – membrana, mãe, madness (loucura)?.

 A Teoria Bootstrap

– Erguer-se pelas alças das botas

Não há partículas fundamentais, mas teias de interação. Tudo está interligado.

- Visão holística X atomística

 – O Tao da Física – Capra

Na época, pouco considerada pela comunidade da Física. Hoje, ainda menos.

 A conexão mente/matéria

 – A mente “cria” a matéria.

O observador colapsa a função de onda.

- Atualmente fala-se muito que criamos a realidade. Nem tanto… temos influência, mas não a criamos.

- No Big Bang não havia observador. Quem “criou” a matéria?

- Criadores dessa teoria não falam em mente colapsando a função de onda.

Sarfatti – sistemas biológicos

Walker – seres sencientes

Wigner – sensações.

 Teoria da não-coerência

- David Bohm: “a introdução da mente consciente na física é motivada por considerações que nada têm a ver com a física em si. Considere, por exemplo, os processos que ocorrem numa estrela distante; eles seguem as leis da física e ocorrem (e sempre ocorreram) sem nenhuma intervenção de nossa parte”

- Superposição quântica

Só existe enquanto permanece secreta para o mundo.

- Não-coerência

Proposta por Bohm em 1952 e comprovada em 1996. Não há necessidade de observador para o colapso da função de onda. O “observador” é a própria natureza. (autopoiese)

 O grande ninho do ser é a espinha dorsal da filosofia perene. Há 15 bilhões de anos só existia um ponto de energia que explodiu (Big Bang). Formaram-se ondas concêntricas.

1ª onda = matéria (A)

Há 5 bilhões de anos surgiu o planeta Terra

2ª onda = vida (A+B), há 3,5 bilhões de anos

3ª onda = mente, ser humano (A+B+C), há um milhão de anos. É o único animal que pensa e tem consciência da morte.

4ª onda = alma (A+B+C+D)

5ª onda = espírito (A+B+C+D+E)

 Cada nível transcende e inclui seus antecessores. O processo evolutivo tem cada vez mais complexidade. Um nível mais baixo não pode explicar um nível mais elevado. Amar ao próximo é decorrência do processo evolutivo. Essa ampliação A+B+C+D+E é a evolução do Kosmos. No limite chega-se à consciência da unidade. Todas as ondas são de consciência.

 Denominação dos níveis de consciência

Matéria e vida: pré pessoais

Mente – pessoal

Alma e espírito – transpessoais; só o olho do espírito permite acessar o transpessoal

 Matéria: física e química

Vida – biologia

Mente – psicologia

Alma – teologia

Espírito – misticismo

 A maioria dos seres humanos não atingiu o nível de consciência de alma e espírito. A física quântica tenta explicar parte do mundo material. Num nível mais baixo pode explicar o mais elevado.

 Que tal perguntar aos fundadores da física quântica? Quantum Questions é o livro de Ken Wilber de 1984 e traz antologia de textos místicos de vários físicos: Albert Einstein (1879-1955), Erwin Schroedinger (1887-1961), Louis de Broglie (1892-1987), MAX Planck (1858-1947), Sir Arthur Eddington (1882-1944), Sir James Jeans (1877-1946), Werner Heisenberg (1901-1976), Wolfgang Pauli (1900-1958).

 Algumas respostas

- Einstein: “o atual modismo de aplicar os axiomas da ciência física para a vida humana não só é inteiramente errado, como também censurável.” “A relatividade é uma simples teoria científica e não atem nada a ver com religião.”

 - Eddington: “naqueles dias era-se forçado a tornar-se especialista em esquivar-se de pessoas que estavam convencidas de que a 4ª dimensão era a porta para a espiritualidade.” “Não sugiro que a nova física prove a religião ou que dê qualquer sustentação à fé religiosa… de minha parte, sou completamente contrário a qualquer tentativa nesse sentido.”

 - Schroedinger: “Física não tem nada a ver com religião. Ela baseia-se na experiência cotidiana e desenvolve-se por meios mais sutis. Mas mantém-se ligada a essa experiência, não a transcende genericamente; ela não pode penetrar em outro domínio. A tentativa de fazê-lo é simplesmente funesta”

 - Planck: “Ciência e religião tratam de duas diferentes dimensões da existência, entre as quais não há conflito ou concordância, da mesma maneira que, por exemplo, podemos dizer que não há conflito ou concordância entre música e botânica. As tentativas para colocá-las em desacordo, por um lado, são baseadas em um mal-entendido ou, mais precisamente, em uma confusão das imagens da religião com afirmações científicas. Escusado dizer que o resultado não faz o menor sentido.”

 - Jeans: “O que dizer das coisas invisíveis que a religião nos assegura que são eternas? Tem havido muita discussão a respeito das últimas afirmações sobre suporte científico para eventos transcendentais. Como cientista, acho as provas citadas totalmente não convincentes; como ser hum,ano, acho a maioria delas também ridículas.

 Todos esses físicos se tornam místicos, não porque a física quântica “explicava” a espiritualidade, mas porque entendem a limitação da física: a física quântica é um mapa (parcial) do cosmos e não do Kosmos.

 - A física quântica trata de 1/3 da fisiosfera.

- Há diversas teorias (mapas) conflitantes.

- Não há como o nível menos elevado “explicar” o mais elevado.

- Os fundadores da física quântica discordam completamente da tentativa de tentar relacionar física e espiritualidade.

- A tentativa de “unir” física e espiritualidade é prejudicial para ambas, pois afasta os cientistas que buscam uma abertura para a espiritualidade.

 É prejudicial para a espiritualidade, pois, parafraseando Mestre Eckart: Se seu deus é o deus da física atual, quando ela se modificar, como ficará seu deus?

 Nada do que é sensorial passa pela razão. Goswami é reducionista; diz que a consciência gera matéria.