Por que é tão difícil mudar?  Psiquiatra, psicólogo, professor e pesquisador da UNIFESP (também professor da ESPM) – o número de combinações possíveis no cérebro é superior a todos os átomos do universo. Estudo o processo de tomada de decisões, que depende do córtex frontal que, por sua vez, também tem outras funções. O córtex freia os impulsos; ex.: dieta. Já o álcool inibe o funcionamento dos neurônios e por isso quem bebe tem maior tendência para brigar. Aí fica não só com ressaca física, mas também moral.

 Não somos animais predominantemente racionais, como se crê. Para a neurociência paixão é um estado de demência temporária, com duração média de 10 a 18 meses. Nesse período, muito cuidado para não tatuar nomes!

 Hábitos são padrões de comportamento automático que geram recompensa. Quebrá-los não é fácil. É mais difícil mudar comportamentos do que crenças. Mudamos as crenças para não desestabilizar a mente. Ex.: vou começar a dieta na 2ª feira (tá!) ou aquela imensa lista de intenções a cada passagem de ano… As promessas de futuro impedem de mudar o agora.

 O autoengano é tão mais poderoso quanto mais difícil mudar um hábito. Quem quer mudar hábitos foca no gatilho: identifica o que leva ao mau hábito e muda. É preciso mudar um comportamento (não crença) por vez. Quando o novo comportamento for repetido várias vezes, ele mesmo se transforma num hábito.

 Temos muito pouco sob nosso controle: nosso comportamento. O mundo muda o tempo todo e devemos nos adaptar. Quando percebemos que cada ano que passa é um ano a menos (não a mais), passamos a investir mais na vida. É preciso valorizar cada abraço, cada olhar.

 O cérebro é social. Sua maior prioridade é pensar em outras pessoas, embora seja muito difícil se colocar no lugar do outro. No ocidente as pessoas são cada vez mais individualistas, mas a principal varável da felicidade é a qualidade das relações.

 Precisamos de objetivos, desafios. O estresse na medida correta é motivador. Quando o desafio está alinhado com as competências, ele é bom. Se for maior, o estresse será ruim. Se menor, gera tédio.

 A mudança é benéfica em qualquer idade: aprendemos a vida inteira. O que dá sabor à vida é o aprendizado. Cérebros ativos adiam a degeneração. Os jovens são muito egocêntricos, mimados. Além disso, os pais tem delegado a educação dos filhos.

 Para melhorar cada vez mais: todos os dias, antes de dormir, escrever três bons acontecimentos do dia e por que aconteceram. Em um mês sentirá melhora, por aprender ou aprofundar o olhar para as boas coisas da vida.